Preconceito transformado em meio de vida

Publicado: 29/10/2009 em Jornalismo
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Catar material reciclável é uma opção viável para enfrentar o desemprego nos grandes centros urbanos e municípios do interior. Mesmo com um trabalho duro, pessoas como Givanilton, Ronaldo, Joabe, Jaqueline e Valci têm orgulho do que fazem e colocam a mão no lixo para retirar papel, plástico, ferro e alumínio, transformando-os em emprego e renda.

Há cinco anos, Givanilton Silva Evangelista, começou no ramo, ele conta que trabalhava no aterro sanitário de Irecê, até surgir a ideia de criar uma cooperativa.  “No lixão era bom, mas criamos a COORECICLA que nos ajudou bastante. Hoje tenho uma renda fixa que varia de R$ 200 a R$ 250 por mês, que já dá para ir tocando a vida”. Givanilton trabalha na cooperativa com a esposa Jaqueline Costa da Silva, que além de catar material com o mari-do é a responsável por limpar o espaço de trabalho dos cooperados. “Não tem trabalho melhor que esse, cato todos os dias lixo reciclado e moro aqui na cooperativa, não pago aluguel. Juntando o meu salário com o de meu marido dá para cuidar de nossos dois filhos”, comenta Jaqueline.

Joabe de Jesus trabalha desde criança na atividade, meio cigano, como ele gosta de se definir, diz que por todas as cidades que passou sofreu por algum tipo de preconceito, mas com muito orgulho, afirma, “tem muita gente que me olha com cara feia, mas não conheço nada mais rico que o lixo. Agente não investe, só faz ganhar, o lixo é rei! É de lá que tiro meu sustento, coloco minhas mãos nas lixeiras e faço meu trabalho com orgulho para não precisar pedir nenhum copo de água a ninguém”.

Os catadores vedem o material coletado em ferros-ve-lhos ou em empresas especializas. Para isso, o lixo é prensado, depois amarrado em fardos, que pesam em média 120 kg, para serem comercializados por: R$ 0,07 o kg do papelão, R$ 0,50 o kg do ferro e R$ 0,10 do plástico.

Ronaldo Assis é um dos responsáveis na COORECI-CLA por prensar o material coletado, segundo o cooperado, foi com esse emprego que ele conseguiu a estabilidade de um trabalho, “fazia bicos como pedreiro, mas trabalha apenas uma semana ou duas. O salário era incerto, agora não, todo fim de mês recebo por produção de R$250 a R$300”. Na mesma situação vivia Valcir Santos, o ex-lavrador disse que perdia muitas safras e era difícil para pagar as contas no fim mês pela falta de uma renda fixa. “Não me arrependo de ter largado as lavouras. O começo como catador foi difícil, hoje, já conheço todo mundo, tem dono de mercadinho que guarda papelão e latinha para mim e já recebo até R$ 400. Minha vida mudou bastante”.

Pedro Moraes

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