Uma saída fantasiosa para enfrentar os problemas

Publicado: 16/11/2009 em Jornalismo
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Já era tarde. Aproximadamente 2h da madrugada em uma quinta-feira, Marcelo*, pai de quatro filhos, casado, 45 anos, não estava em seu lar com  a família e sim apenas começando mais uma noite, sentado numa mesa de bar comendo carne assada e curtindo uma rua vazia regada a muito álcool. Infelizmente, esse não é um dia atípico desta pessoa e sim, sua rotina. Na mesma cidade e noite, em outro bar, encontro Fernando*, um jovem de 25 anos, cabelos compridos, de visual rebelde, porém tímido. Sentado na frente de um balcão sombrio, repleto de copos mal lavados, o jovem agricultor se queixava da vida em um cenário triste e revelador, que se tornou um palco para seu passatempo e fuga diária, se embriagar.

“Colega, vamos fechar”, diz o garçom, mas Marcelo não tem vergonha de insistir a terceira “saideira” da noite. A cerveja gelada com uma fina camada de gelo sobre a garrafa chega na mesa transformando o ato em quase um orgasmo, o já embriagado empresário sorrir e diz com orgulho: “essa Antártica está gostosa”.

“Tive um dia estressante”, comenta Marcelo, “trabalho o dia todo e quando chego em casa só tem problemas para resolver, por isso preciso tomar uma para relaxar. Bebo quase todos os dias, mudo bastante quando dou um gole, sou tímido, fico falante, se estou estressado fico calmo, se triste logo começo a rir. Nunca pensei em parar de beber, minha mulher não gosta, todo dia que chego de madrugada é sempre uma confusão diferente, mas ela querendo ou não preciso curtir um pouco”.

Fernando procura um efeito diferente, para ele, o álcool é uma ferramenta para auxiliá-lo na sedução, porém, o tiro sempre sai pela culatra. “As mulheres não gostam de homens que não bebem. Quando tomo alguma coisa tenho coragem para chegar em uma garota e trocar uma ideia, mas quando estou sem beber, a noite fica chata e nada acontece. O problema é que quando começo a beber não consigo parar e faço coisas que normalmente nunca faria, xingo pessoas que gosto, falo mal, brigo se encherem meu saco e me sinto tão livre que faço desta cidade um Woodstock”.

Segundo amigos, o comportamento de Fernando quando bebe é tão irreverente que acaba afastando todos, inclusive as pretendentes e familiares, gerando preconceito e solidão. “Muita gente fala de mal de mim sem nem me conhecer, me julgam pela aparência, dizem que me viram cheirando cocaína ou fumando maconha, não tenho nada contra as pessoas que fazem isso, porém é muito ruim levar fama de algo que não fiz e quando isso acontece, fico ruim e bebo ainda mais”, desabafa Fernando.

*Marcelo e Fernando são nomes fictícios para preservar as identidades das fontes.

 

Pedro Moraes

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comentários
  1. Marta Leandro disse:

    Gentil e criativa maneira de tratar um problema tão grave que é o alcoolismo. Parabéns, Pedro! Torço para que Marcelos, Fernandos e Marias (estas que tbém existem) um dia consigam resolver seus problemas de outra maneira que não essa!
    Um abraço

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