Boêmio aos 80 anos,”Quinho” esbanja alegria

Publicado: 01/12/2009 em Jornalismo
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Considerado por muitos o boêmio mais antigo da região, o lapoense conhecido como “Quinho”, de 80 anos, esbanja energia e mesmo após muitos carnavais não perde uma festa, estando sempre pronto para dançar a próxima música. “Minha pressão arterial é doze por oito e o coração está inteiro, quando vou ao médico o pessoal fica admirado com minha saúde. Tenho essa idade e desafio qualquer jovem ou velho a me acompanhar, os novos de hoje estão acabados e os velhos de minha época, também. Posso curtir mais de dez noites seguidas e no outro dia não sinto nada. As vezes estou em casa e basta ouvir um som na rua, bato o pé e já estou pronto para a folia. Todo fim de semana vocês me encontram na boemia, pode ser no bar de Enoque, Forró da Neura ou qualquer outro local da região que venha um cantor de fora”.

Casada há quase 54 anos com Quinho, dona Neuza diz nunca ter sentido ciúmes do marido, e não se importa com as constantes farras do boêmio lapoense. “Ela não gosta de sair, foi uma ou duas vezes no carnaval e nunca mais quis ir. Às vezes chego amanhecendo o dia e ela nunca diz nada, criei meus seis filhos, mas nunca perdi minhas farras. Se o cara tem energia, tem que curtir, não é mesmo?”, salienta Quinho.

Conhecido na região por suas habilidades como dançarino, Quinho dança de bolero a forró e afirma saber dançar quatorze estilos diferentes, acompanhado por uma dama, e qualquer outro ritmo sozinho. Ao se recordar do passado, eufórico, ele conta: “Quando era mais jovem, ganhei o prêmio de dança no salão de Eurico, aqui em Lapão, depois disso um cara de Presidente Dutra me desafiou para ver quem era o melhor dançarino. Fui à cidade dele, dancei muito e ganhei na aposta oito grades de cerveja, fizemos uma farra danada. Na época tinha um sanfoneiro com nome de Muritiba e outro conhecido como Nenem do Belo Campo, e onde eles tocavam estava por perto”.

QUINHO NO FAUSTÃO – Em-polgado com seus talentos como dançarino, Quinho encaminhou um DVD para o programa do Faustão, dançando dez tipos de ritmos para o quadro “Se vira nos trinta”, esperou dois anos e foi chamado. “Foi emocionante, eles pagaram tudo, fiquei em um dos melhores hotéis e conheci vários artistas. Além de Faustão, conversei com o grupo Jota Quest, Ivete Sangalo e Caçulinha.”

Quinho comenta que no dia da apresentação tinha um jogo do Brasil e a equipe estava correndo contra o tempo. Com a pressa, o auxiliar de palco trocou as placas anunciando que ele dançaria merengue e lambada, porém, o que tinha sido combinado era para dançar um pouco de vários estilos. “Sei que comecei a fazer uma dança, só que quando mudei de ritmo, os jurados não entenderam e fui desclassificado. Mas o erro foi deles, fui falar com Faustão e ele concordou comigo”. Quinho não desistiu e logo que retornou encaminhou outro DVD para a produção do Domingão do Faustão dançando desta vez quatorze ritmos diferentes. “Também enviei um para o programa do SBT, “Qual é o seu talento?”, as duas emissoras me pediram para aguardar  um pouco. Quero muito voltar e desta vez vou para ganhar, mas se perder, o que vale é a farra, a aventura e a curtição”.

HISTÓRIA: Francisco Lages de Carvalho ganhou o apelido ainda criança, quando as tias o chamavam de Francisquinho, se abreviando depois para apenas Quinho. Começou trabalhando na lavoura e depois decidiu pintar e consertar bicicletas. “Fiquei alguns anos trabalhando com isso até que comprei um projetor de cinema e passava numa bitola de 16mm filmes de faroeste e guerra por toda região”. O cinema móvel do Quinho passou por Lapão, Campo Formoso, Ibipeba, Barro Alto, São Gabriel, Uibaí, Presidente Dutra, Hidrolândia e Barra do Mendes.

De acordo com Quinho, os salões lotavam nas exibições.  “Naquele tempo não existia cinema na região, fiquei dois anos nesse ramo, até que fiz um rolo”. Quando ele desistiu do ramo, juntou a moto com o projetor e trocou por um caminhão para fazer frete da produção agrícola na região e levar os mascates para feiras de João Dourado, Ibititá e Xique-Xique.

“Sou um homem de vanguarda, sempre gostei de inovar, fiz bicicleta de pau, adaptei caminhonetes, mas era louco por avião. Comprei plástico, fiz uma hélice e comecei a fazer a estrutura da nave, mas mamãe achou que iria morrer, me tomou o material e escondeu tudo (risos)”. Quinho não desistiu do sonho de voar, vendeu uma porca por 53 mil réis e fretou um avião até Xique-Xique. “Fui o primeiro homem da região a voar de avião,” diz, orgulhoso.

Pedro Moraes

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comentários
  1. fernanda disse:

    Oi !

    Seu blog é bem bacana, parabéns !
    Encontrei algumas matérias suas através do diHITT!
    Você podia enviar também pro PC Chip né?, o link dele é http://www.pcchip.com.br

    Eu acompanho notícias de blogs por lá também, ele é tipo o diHITT e é muito bacana, e bem bonito.

    Beijo !

    Fernanda

  2. Reinaldo disse:

    Reinaldo,irmão de quinhões quer que ligue para ele 4130776472 curitiba

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