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A geógrafa Adriana Sousa de Araújo realizou sua pós-graduação com o tema: Impactos Ambientais recentes no Parque Metropolitano do Abaeté. Ela esclarece algumas questões sobre a ação destrutiva do homem que destrói a Lagoa que encantou o compositor Dorival Caymmi.

Pedro Moraes: Apesar da degradação sofrida, a prefeitura diminuiu a área de proteção ambiental em 10%. O que a senhora pensa sobre esta decisão?

Foto: Wilson Besnosik / Agência A Tarde

Foto: Wilson Besnosik / Agência A Tarde

Adriana Souza Araújo: Acho uma decisão no mínimo irresponsável. O Parque Metropolitano do Abaeté tem um valor cultural, histórico e ambiental de grande relevância para Salvador. Trata-se de uma única área com características duno-lagunares, que não existe em outro local desta cidade. Por esse motivo, é necessário preservar esse ambiente, para que o mesmo não sofra mais e possa ao longo dos anos, recuperar-se desse prejuízo, caso ainda seja possível. A prefeitura só percebe a   importância visando uma vertente, a do lado turístico. Apesar de já existir por parte da mesma, estudos e relatórios para conservação do local, ela deveria de fato voltar-se para a preservação daquela APA, o que ocorre de maneira ainda insatisfatória.

R: Aquela  região é uma das mais cobiçadas na cidade pelo mercado imobiliário. A construção de civil pode afetar a lagoa de que forma?

AS: Já houve uma perda grande no que se diz respeito aos recursos hídricos daquela região. A lagoa não se trata apenas de uma e sim de várias outras que ficam no interior do parque por trás das dunas e só podem ser vistas através de um passeio com os meninos do Abaeté, que são guias locais que conhecem a região. Aconselho a todos conhecerem, é muito interessante. Quanto a especulação imobiliária, de fato é uma área que sofre muito com esse processo. Houve um tempo que as areias das dunas e as águas das lagoas eram captadas, de forma clandestina para construções civis, com isso, muitas lagoas internas já secaram ou perderam volume da água. Existiram várias perfurações de poços artesianos em condomínios eles “roubavam” a água que seria destinada a abastecer a lagoa. Algumas lagoas estão totalmente secas e outras, nem existem mais.

R: A imagem poética narrada por Caymmi está se transformando. Por exemplo, a cor da água hoje é verde. Isso é um sintoma da devastação?

AS: Com certeza, a cor escura das lagoas ocorre em função da grande deposição de material orgânico no fundo das lagoas. Com a devastação, essa cor está se alterando, é visível em alguns locais a mudança na coloração das dunas também, que de brancas estão ganhando uma coloração avermelhada. Isso é uma conseqüência das construções nos arredores. Fragmentos de tijolos e blocos são levados através da ação eólica, o que está contribuindo muito para a modificação do local. A água já foi bastante castigada, antes existiam lavadeiras que realizam seus trabalhos ali, isso prejudicava toda a vida aquática da lagoa. A natureza  não tinham como concorrer com os produtos químicos do sabão.

R: Os danos realizados podem ser amenizados de alguma forma?

AS: Tem que existir uma conscientização por parte não só dos moradores da região e de toda população soteropolitana. Aquele espaço tem muita importância para a cultura do nosso povo e se trata de um marco turístico e ecológico dentro de uma metrópole que deve ser preservado, conservado, valorizado e amado por todos. Nada ligado ao meio ambiente se resolve com a ação de apenas um dos lados.

A melhor forma de amenizar tal situação seria um programa de educação ambiental para os moradores.  Seria necessário uma divulgação da importância do Parque para que a população e principalmente as autoridades fiscalizem e mantenham o ambiente mais preservado.

R: O desmatamento realizado por alguns moradores nas áreas vizinhas a lagoa é um exemplo de falta de conscientização.

AS: Sim, quando uma árvore é arrancada, a raiz deixa solta a areia, daí a lagoa acaba sendo aterrada com a erosão sofrida com influencia do vento e chuva.  Muitas pessoas que fazem esse tipo de coisa não sabem exatamente de suas conseqüências.

R: O carnaval de Itapuã foi transferido para aquela região. O aumento no fluxo de pessoas pode trazer mais problemas?

AS: Esse é um sinal da irresponsabilidade da prefeitura. A transferência da festa para esse local é uma prova da falta de preocupação das autoridades com relação a preservação ambiental da área. Aquele espaço deveria ser considerado um santuário.

lulawagnargeddelPor Pedro Moraes

Geddel conseguiu. A aliança nacional entre o PMDB e o PT está desfeita na Bahia. Mas o que o PMDB queria? É difícil responder depois de tantos benefícios ganhos. Geddel é ministro de um governo do PT, na Bahia o partido tinha o comando de três secretárias, sete órgãos do estado, aproximadamente 500 cargos comissionados e o apoio total do governo estadual e federal em suas prefeituras. Ontem (08), Wagner provando que as desavenças partidárias entre o PMDB e PT não interferem nas ações do governo, inaugurou uma série de obras em Morro do Chapéu, terra do prefeito “gedelista” Lucídio Rebelo (PMDB), como a construção do sistema de abastecimento de água na comunidade quilombola Barra de Dois, que vai abastecer os povoados de Olaria, Candeal e Palmeiras; dois sistemas simplificados de abastecimento para as comunidade de Várzea Grande e Jacarezinho e a construção de uma nova escola para o distrito de Icó com seis salas de aula. Ao todo, os investimentos ultrapassam R$ 970 mil, auxiliando a aproximadamente mil pessoas.

Parece que Geddel que nunca foi um parceiro confiável, arregalou os olhos para eleições que tem pouquíssimas chances de ganhar. Na política, acredito que muito superior ao ego de cada indivíduo, um projeto tem que ser defendido e acompanhado, um político só deve contestar essa diretriz se ele tiver um motivo ideológico ou um projeto de governo diferenciado, algo superior aos interesses pessoais, coisa que com certeza o PMDB baiano e Geddel não têm.

O PMDB, a nível federal, continua sendo um importante aliado do governo Lula, ele oferece estabilidade política garantindo que os projetos do governo serão levados adiante, com esse parceiro a base governista é maioria absoluta na câmara e no senado. Porém, o PT e PMDB na Bahia e Brasil são historicamente partidos diferentes. Nascidos em berços opostos, o partido do ministro Geddel é um “amigo” que adora o poder e independente de quem esteja à frente existe a possibilidade dele abraçar a causa. O grande problema é que o partido quando vira aliado cobra um preço caro, arregala os olhos, enche a boca de água e exacerba no pecado capital da gula, “raspando todo o tacho” só deixando os farelos.

A ruptura foi boa para Bahia, afinal, é importante termos políticos do PMDB com cara de PMDB e os do PT com cara de PT e não como estava, onde podíamos encontrar no mesmo saco de farinha os dois, estávamos com um governo sem identidade petista. Acredito que eleitoralmente, apesar de parecer o contrário, o vitorioso nessa ruptura é Jaques Wagner. Os eleitores do governador estão definidos e sem esse aliado que “só queria raspar o tacho” a tendência é que Wagner comece a fazer o que não estava fazendo: Dar atenção aos verdadeiros amigos. Com a entrada de Geddel na Briga o que vai existir é uma luta entre ele e Paulo Souto que tem um eleitorado semelhante. Ambos vão se fragilizar e possivelmente vamos ver Geddel novamente no governo, seja no segundo turno apoiando Wagner ou apoiando o governador depois de eleito no primeiro turno, para mais uma vez encher o próprio prato.