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Há trinta anos saia de Cabrobó, interior Pernambuco, mais um pau-de-arara com pessoas que sonhavam com dias melhores. Ao ouvir falar na terra do feijão, seu Otacílio não pensou duas vezes e viajou com sua esposa, dona Josefa e os dez filhos em um caminhão fretado por sonhadores. Dentre eles estava Severino que relembrando o passado narra um pouco de sua história: “Vimos em busca de trabalho, não conhecíamos nada por aqui, porém a situação em Cabrobó estava difícil e sempre alguém dizia para gente que Irecê tinha muito serviço então meu pai veio conferir. Por aqui deu certo, gosto muito da cidade, mas sinto saudade do rio São Francisco. Quando era menino me divertia pulando da ponte para água, são momentos de uma boa infância”, conta Severino Ferreira de Lima, conhecido como Bil.

O jovem pernambucano logo conseguiu emprego na Bahia e nas lavouras da região de Irecê e oeste baiano, Bil trabalhou como tratorista por mais de 20 anos, plantando soja, algodão, milho, feijão e mamona. Casou-se três vezes, sendo que o primeiro casamento durou dez anos, o segundo cinco e o terceiro quarto. “Hoje estou só, mas em busca de um novo amor porque ainda sonho em ter um filho. Tem umas moças que me procuram perguntando se sou casado, mas gosto de ir atrás, essas assim não dão certo”.

Já com 41 anos, Bil conta que de seus amores a segunda esposa foi a que mais marcou e voltaria a viver com ela, porém o orgulho dos dois lados, não conseguem cicatrizar as mágoas do passado. “Uma mulher que sinto falta é Luzia, ela era muito boa para mim, mas o ciúme estragou muita coisa. Nós brigávamos muito e juramos um para o outro nunca mais se falar. Um tempo depois ela se casou novamente e se separou, também está só, mas hoje, um passa pelo outro de cara fechada. Tenho vergonha de procurá-la e tentar voltar, mas se ela me procurasse,  ficava com ela e tentava tudo novamente”.

Com um sorriso e expressivo e um papo amistoso, o ex-agricultor trabalha numa barraca que era de sua mãe, que se aposentou há três anos. Todos os dias, bem cedo, ele abre o local e começa a vender um pouco de tudo, dentre outros, bebidas, chocolate, balas e lanches. “Hoje o que mais vende é água de coco, os salgados e a velha pinga de raiz”. Falando em pinga, a barraca do Bil conserva a tradição e tem uma variedade impressionante de cachaças. Tem para todos os gostos, é carapiá, umburana, quebra-facão, jatobá, catingueira, quebra-pedra, camaçari, para tudo, pindaíba, dandá,  cambuí,  junco, cidreira, capim santo e erva doce. “Compro as ervas no mercadão, jogo na garrafa com pinga pura dá boa e deixo curtir. Depois de uns três dias ela já pronta”, revela Severino.

Bil comenta que a barraca além de ponto de encontro para as pessoas que pegam ônibus para cidades vizinhas, também serve de “farmácia”. “Os caras chegam aqui e dizem: Bil, bota ai uma dose para dor de coluna, ai toma um jatobá, se tiver de disenteria vai de umburana, se tá com tosse toma uma pindaíba e se aparecer com dor nos rins o cara vai de quebra-pedra. Não sei se funciona mas eles dizem que melhora na mesma hora(risos)”.

Pedro Moraes

Fonte: SECULT

O quê: Debate Jornalismo Literário – O New Jornalism (CCBB Itinerante)

Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves

Quando: 18 de agosto, terça-feira, às 19 horas

Entrada gratuita


No dia 18 de agosto, das 19h às 21h, dentro da programação do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante (CCBB Itinerante) Etapa Salvador será realizado o debate Jornalismo Literário – O New Journalism e as Experiências Inovadoras do Jornalismo Brasileiro, com a presença dos jornalistas e escritores Luiz Carlos Maciel e Nirlando Beirão. Com mediação da jornalista e editora do suplemento Revista de A Tarde, Nadja Vladi, o encontro acontece na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, com entrada gratuita.

O objetivo do debate é o de discutir o Jornalismo Literário, no Brasil e no mundo, apresentando o que de melhor foi produzido no gênero. Nirlando Beirão deverá apresentar o tema em linha gerais: o que é o New Journalism, quando surgiu, seus expoentes e as experiências inovadoras do jornalismo brasileiro. Luiz Carlos Maciel vai falar sobre sua carreira e, em especial, seu trabalho no jornal O Pasquim, do qual foi um dos fundadores.

Luiz Carlos Maciel é escritor, jornalista, roteirista. Foi um dos fundadores do lendário Pasquim, onde era o responsável pela coluna Underground, na qual foram divulgadas para o Brasil as primeiras informações sobre o movimento da Contracultura, nos anos sessenta. Trabalhou em jornais no Rio de Janeiro, entre eles Jornal do Brasil, Última Hora e na revista Fatos e Fotos. Editou o semanário Rolling Stone. Foi crítico de teatro para a revista Veja de 1977 a 1979. Em 1996, publicou Geração em Transe (Nova Fronteira,1996), em que aborda diferentes momentos e obras da contracultura brasileira. Em 1998, seu roteiro para o filme de longa-metragem Dolores foi premiado pelo Ministério da Cultura.

Nirlando Beirão é jornalista e escritor. Nasceu em Belo Horizonte e estudou Antropologia na Universidade Federal de Minas Gerais e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi editor de Política de Veja; editor de Cultura de Istoé; redator-chefe de Senhor; colunista do Estado de S. Paulo; editor de Playboy; diretor de redação de Caras. Assina hoje a seção Estilo em Carta Capital, é diretor-adjunto da Revista Brasileiros e publisher da Wish Report. Tem vários livros publicados, entre eles um sobre a região dos Jardins, em São Paulo, um sobre bares – cultura e boemia –, uma biografia do arquiteto Cláudio Bernardes, outra do ex-ministro Sergio Motta e, em parceria com o publicitário Washington Olivetto, a segunda edição de Corinthians: É Preto no Branco – embora sua família mineira continue dizendo por aí que ele é, de fato, Atlético Mineiro.

As senhas para o debate devem ser retiradas com uma hora de antecedência, na bilheteria do teatro.