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Por Pedro Moraes

Percebemos diversos grupos de jovens que extravasam suas inquietudes das formas mais subversivas possíveis, como o consumo desenfreado do álcool, a direção alcoolizada de veículos sem habilitação, a permanência nas ruas de madrugada, a prática de sexo em vias públicas e o consumo de diversas drogas ilícitas, como a maconha e o crack.
Sabemos que todos esses problemas vêm de berço. Inicialmente, cabem as famílias coibirem tais atos, com o diálogo e uma orientação contínua, que precisa ser ao mesmo tempo dura e acolhedora. Contudo, ao invés de orientar, os pais estão perdendo cada vez mais espaço e os filhos se sentem no direito de comandarem a situação, sem qualquer repressão posterior. A tradicional “bronca” foi abandonada por um tapinha nas costas com a frase subconsciente: “Filho erre novamente, seu pai assume sua barra”. Como os problemas não são meramente caseiros, eles trazem consequências danosas para toda a sociedade, já passou da hora dos poderes públicos e as famílias lutarem com mais afinco para solucioná-los.
No caso do álcool, podemos afirmar com toda segurança possível que a grande maioria dos mercados, armazéns e bares do município e microrregião de Irecê, vendem sem qualquer cerimônia bebidas alcoólicas e cigarros para menores de 18 anos. O que muita gente finge não saber, é que o ato vergonhoso, que visa unicamente o lucro, desobedece o artigo 243 do estatuto do adolescente que prevê pena de até 4 anos de reclusão, acompanhado por multa,  “para qualquer pessoa que vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida (art.243)”, diz o estatuto do menor.
Diante de uma geração que abandona em passos largos o hábito da leitura, também encontramos uma infinidade de alunos que fardados com as camisas de seus respectivos colégios, se privam de conhecimento e trocam as salas de aula pelo uso incansável de bate-papos virtuais em lan houses, ou passam seus dias sentados em um banco de praças públicas ao lado de um litro de refrigerante “turbinado” com Pitu, 51, Montila e outras tantas bebidas.
No trânsito, os menores circulam livremente pilotando motos, dirigindo carros possantes com aparelhos de som amplificados e fazendo diversas inflações, como subir em passeios, realizar manobras arriscadas e exibirem os famosos “cavalos de pau”, demonstrando todo seu “poderio” adolescente. Todos sabem que dirigir sem habilitação é crime e para ter a autorização necessária, o condutor precisa ter a idade mínima de 18 anos, tenho certeza que isso não é novidade para ninguém. Porém, com uma fiscalização ainda incipiente, virou uma tradição os pais liberarem os veículos para menores, ainda sem maturidade, despreparados psicologicamente para utilizar tal ferramenta, que pode virar uma arma letal com o uso inadequado. Sejamos coerentes, qual maturidade um jovem adolescente tem para pilotar uma moto ou carro?
Precisamos urgentemente de ações concretas de todos os poderes públicos para solucionar esses problemas. Investir em educação de qualidade, cultura, esporte e meios de entretenimento “saudáveis” é uma fórmula precisa para combater todas essas problemáticas em médio e longo prazo. Porém, também necessitamos de órgãos com a função de coibir tais práticas.  O poder judiciário, por exemplo, ninguém entende o motivo, mas não implementa no município um Juizado de Menores, que amenizaria de imediato algumas dessas problemáticas. Visto que a ação dos agentes de proteção (antigos comissários de menores) tem como objetivo “o trabalho de fiscalização, assistência, proteção, orientação e vigilância a menores, previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como o cumprimento de medidas judiciais específicas”.
Os poderes competentes precisam parar de olhar para os botões do próprio terno e realizarem ações em consonância com as necessidades da população. As famílias precisam acordar, e deixar as fofocas sobre o outro de lado e olhar para sua casa. Está faltando praticas básicas, como olhar, ouvir, sentir, buscar e conhecer.  Pois é só assim, que conhecemos os anseios do local, no qual muitas vezes vivemos protegidos por uma cúpula de vidro.

“Não tenho medo de reclamação, dirijo em todos locais da região e coloco o som na altura que quero porque nunca ouvi falar que alguém daqui teve problema com isso”.

Por Pedro Moraes

Venho recebendo constantes denúncias de diversas pessoas que estão se sentindo prejudicadas pela intensa poluição sonora, que se alastra com cada vez mais intensidade na microrregião de Irecê.  O cenário não é diferente em nenhuma das localidades, carros equipados com aparelhos sonoros de alta potência, passam nas ruas com o volume acima do permitido em qualquer horário, as festas são executadas sem nenhum tipo de domínio acústico, os bares colocam som ao vivo ou mecânico sem controle de altura ou horário e o comércio não se cansa de usar os carros de som rodando pelas cidades anunciando suas ofertas.

Em Lapão, muitas pessoas que preferem não se identificar, por receio de algum tipo de coação, alegam não ter condições de trabalhar ou simplesmente dormir com o intenso barulho nos bares da cidade e carros com som. Essa situação é vivenciada por um lavrador que mora em uma das ruas atrás da AV. ACM, que dá acesso à cidade. “No outro lado da rua tem um bar que funciona durante toda a semana vendendo espetos de carne assada e cerveja a noite. Se chama Espetinho do Wilson, ele não me dá sossego. Sou paciente, mas mesmo assim não estou aguentando, na segunda, trabalho cedo e no domingo o barulho só acaba depois das duas da manhã. Agora me diz, como posso acordar às cinco se durmo depois das duas?”, questiona o agricultor.

Praça Bráulio Cardoso

Outro morador da cidade, que reside na praça central tem o mesmo problema. “Na Praça Bráulio Cardoso tem um local chamado Bar do Enoque, que colocam uma caixa de som e todo fim de semana leva uns cantores para cantar o mesmo repertório, já gravei todas as músicas. E tem outro, na mesma rua, chamado Mega Bar que coloca um som mecânico super alto. Se o som ainda fosse baixo tudo bem, mas parece que esses bares colocam as músicas para todas as ruas vizinhas ouvirem e não só para os clientes. Na minha sala, não dá para ver televisão direito, se for conversar, tenho que trancar as janelas e a porta. Para dormir, não tenho direito de escolher o horário, é só quando a farra parar. Tentei reclamar, fui ao bar, conversei com um funcionário, liguei para a polícia, mas nenhum dos dois me deram atenção. Alguém tem que tomar providência, não é possível que o divertimento de poucos que sentam nas mesas da praça seja mais importante que o direito de dormir de moradores de várias ruas”, desabafa.

Na Rua Antônio Pereira da Silva, os moradores dizem que a realidade é ainda mais complicada. Um comerciante que tem um estabelecimento próximo a sua casa comenta que na localidade o único dia de tranquilidade é na segunda. “Se alguém chegar aqui na rua até às 22h,  pensa que o lugar é um paraíso, mas certamente chegando depois das 0h vai conhecer outra realidade. Tem um bar bastante conhecido, chamado Tenta do Carlinhos que só deixa as pessoas terem sossego na segunda, pois durante todo o resto da semana ele fica até 3h da manhã aberto e se não bastasse o barulho interno, ainda tem pessoas que não conseguem entrar no estabelecimento e ficam de fora conversando alto e zoando na rua. O som do bar é alto,  mas o que incomoda mais é o público, é gente gritando, falando palavrões e carros que ao saírem cantam pneu e aumentam o som. Em decorrência disso, não durmo bem  e acabo tendo que lutar durante o dia para não ficar mal humorado, e não descontar o stress nos clientes ou na minha família, pois a ausência do sono causa irritação. Fiz uns tampões nas centelhas das janelas para minimizar o problema, mas mesmo assim, o barulho entra. A justiça deveria obrigar esses estabelecimentos que são próximos a residências, a usar um isolamento acústico e a polícia deveria fiscalizar mais isso. Sinto-me  lesado, pago meus impostos em dias e não precisaria ficar fazendo denuncias sobre isso, até porque existem leis que são fáceis de serem cumpridas, bastas às autoridades quererem colocá-las em prática”, disse o comerciante.

Na cidade, o maior problema em relação à poluição sonora é o volume excessivo dos aparelhos de som dos veículos. Eles não obedecem a horário, nem muito menos o nível de ruído, a problemática é tão comum que já virou um hábito, hoje, dizer que tem um carro em Lapão que não seja bem equipado com esse acessório soa estranho. O menor de iniciais ASD, de apenas 15 anos, afirma que o pai colocou o som no carro com uma potência considerável a seu pedido e que infringe a lei pela certeza da impunidade. “É massa demais, onde paro faço a festa. Não tenho medo de reclamação, dirijo em todos locais da região e coloco o som na altura que quero porque nunca ouvi falar que alguém daqui teve problema com isso”, diz o estudante. Na Rua José Mangueira, um funcionário público conta que em um bar de sua rua, vários clientes param o carro em frente ao estabelecimento e abusam do som alto. “O próprio proprietário tem um carro e faz isso. Quase todos os dias eles encostam na calçada e ligam o som em altura que incomoda a rua toda, já fui na delegacia registrar ocorrência e ao Ministério Público, ambos disseram que iriam resolver o problema, estou aguardando”.

O capitão da policia militar, José Renato, convocou para uma reunião alguns proprietários de bares da cidade expondo os problemas. Ao término, foi combinado informalmente que os donos dos estabelecimentos iriam se comprometer em reduzir o volume, assim como não atender clientes que estejam com o aparelho de som ligado. O militar ainda disse que no descumprimento do acordo, ele iria acionar o poder judiciário para resolver o problema. Mas, infelizmente na mesma semana da reunião a situação permaneceu a mesma.

A Superintendente de Apoio Rural e Meio Ambiente e presidenta do Conselho em Defesa do Meio Ambiente, Lucivanda Oliveira Porto, reconhece a gravidade do problema e promete em breve algumas mudanças. “O código municipal de meio ambiente e o conselho foram implantados e estão aptos a funcionar. Já solicitamos um decibelímetro (aparelho responsável para medir o nível de ruído) e em parceria com a polícia militar vamos verificar a situação para tomar as devidas providências”.

Maria Auxiliadora dos Santos, conhecida como Cilinha, dedicou sua vida para ajudar o próximo, se tornando uma referência da ação social em Lapão (BA)

 

Por Pedro Moraes

 

Percebemos como foi importante a existência de alguém, pelo nível de emoção demonstrada nos momentos em que essa pessoa é lembrada. Ao falar da história da paraibana Maria Auxiliadora dos Santos, conhecida carinhosamente como Cilinha, uma explosão de sentimentos aflora, com depoimentos recheados pelos mais diversos sorrisos, saudades, lições de vida e muita comoção sobre uma guerreira que esteve entre nós para servir.

Filha de Antonio Dias Ramos e Maria das Dores Dias Ramos, Cilinha, nasceu em Remígio, em 27 de março de 1956. Na sua terra natal a situação estava difícil, as fortes secas e escassez de recursos fizeram com que ela fosse para Lapão com apenas dois anos, ao lado dos pais e os irmãos Lourival, Margarida, Luís, Zélia e Marisé. Na nova cidade, a esperança de dias melhores foi renovada e logo a família aumentou com o nascimento de Irenaldo e Marileide. “Cilinha era uma criança bem magrinha e impulsiva, mas desde cedo puxou aos pais e mesmo bem novinha, já gostava de agradar as crianças que ela conhecia”, se recorda Marileide.

Apaixonada pela nova terra, porém sem perder suas raízes, se considerava uma “paraibaiana”, (mistura de paraibana com baiana) e com muito esforço estudou até a quinta série conciliando o estudo com os trabalhos de casa e os da roça em Queimada Nova, povoado de Irecê. Com o tempo, conheceu Antônio Batista dos Santos, Totonho. Com o romance, veio o namoro e posteriormente o casamento, virando o braço direito do esposo. “Casamos no dia primeiro de abril de 1972. Inicialmente começamos a morar juntos, na casa dos pais dela e depois casamos. Foram momentos felizes, minha sogra e meu sogro sempre me consideraram bastante e quando saímos da casa deles para a nossa eles reclamaram, queriam que ficássemos. Quando encontrei Cilinha, ganhei uma companheira que se esforçou por toda sua vida para me ajudar, não conheço uma pessoa com mais disposição e ânimo para auxiliar o outro. Tenho um açougue e ela nunca me disse hoje você vai só, a disposição era fora do normal. Acordava de madrugada, desossava os bois, tratava os fatos e permanecia com a mesma energia. Podia está sentindo qualquer coisa, mas quando falava em ajudar alguém ou trabalhar, Cilinha enfrentava qualquer dor e mostrava que não existia tempo ruim, quando se tinha vontade,” se recorda Antônio.

O casal teve quatro filhos, Clesciane, Clebson, Clenildo e Anaclécio, que recordam  de uma mãe que sabia reclamar e acolher na hora certa. “Ela tinha um carisma enorme com as pessoas, posso dizer com toda certeza que tive uma mãe excelente, pois ao mesmo tempo em que ela passava a mão na cabeça dos filhos ela sabia cobrar atitudes e posicionamentos. Mãe chegava junto e nos ensinou muitas coisas”.  Disse Anaclécio. Concordando com o irmão, Clesciane comenta que a mãe ensinou duas coisas fundamentais: a importância da união entre os familiares e a força de vontade para ajudar o próximo. “Conviver com ela, me influenciou a fazer o bem e estar sempre próxima a minha família”.

Em nome da Ação social

Além de ajudar o marido no açougue, era feirante, e viajava para as cidades da região de Irecê com o objetivo de vender carne nos balcões das feiras. A amiga Maria Alves se recorda que na época, Cilinha separava vários pedaços da mercadoria para fazer doações aos mais necessitados. “Na feira, eu vendia tempero do lado dela e percebia que nunca saia uma pessoa que precisasse de ajuda sem um pedacinho de carne enrolado, ela fazia o bem, mas não gostava de aparecer, sempre ajudava com muito sigilo, por isso, considero-a uma pessoa especial”.

Mesmo com quatro filhos jovens, Cilinha se comoveu com a história da garota Ilca Nascimento dos Santos, que com apenas 12 anos, morava sozinha. A mãe verdadeira deu prioridade a acompanhar o esposo e foi viver na roça com o marido deixando duas filhas sozinhas. A irmã da pré-adolescente foi para Brasília, e a jovem garota, a cada dia se sentia mais triste e solitária. Conhecendo sua história, Cilinha não hesitou a convidar a garota para morar com ela. Muito emocionada, Ilca conta: “ela foi uma peça fundamental em minha vida, tenho muito orgulho em ter tido nela uma segunda mãe. No momento mais difícil da minha vida, onde me sentia só e triste,  ela me ofereceu de bom coração para morar com ela. Mãe Cilinha não me conhecia, não sabia de minha índole, mas mesmo assim, me acolheu como se fosse sua filha. Ficava surpresa a cada dia com sua dedicação, seu sorriso, e todo amor dedicado a mim. Nunca senti diferenças,  o que  tinha para um, tinha para outro, tudo que os filhos dela tinham, eu também recebia, era como se tivéssemos o mesmo sangue. Na ausência da minha mãe, o seu carinho completou meu coração e  me ensinou a perdoar, a ir na igreja, conhecer os bairros carentes e apoiar os mais necessitados”.

Mesmo tentando não demonstrar, o trabalho social que ela desenvolvia, logo começou a chamar a atenção. Foi quando o até então pároco da cidade, Padre Lúcio Barboza,  convidou a guerreira para somar nos grupos de ação social da Igreja Católica de Lapão. Com isso, ela participou voluntariamente da Pastoral da Criança, Promoção Humana e os grupos Galileu e Liturgia.  “Ela me incentivava a participar dos projetos” se recorda a amiga, Maria Alves. “As vezes falhava, estava sem disposição e não ia, quando isso acontecia era certo, Cilinha batia em minha casa e dizia: Coloca uma roupa, vai tomar banho porque você vai, existem muitas pessoas que hoje dependem de você. Assim, não sabia dizer não, e ao lado dela e da colega Maria Paiva percorríamos a cidade e povoados em busca de pessoas que estivessem necessitando de ajuda. Não tinha como ficar triste perto dela, porque ela era um exemplo, qualquer problema que ela tinha, ela deixava para trás e vivia o presente com um sorriso estampado no rosto. Quando ela ajudava alguém era como se seu espírito se renovasse”.

Com os grupos de evangelização e de ação social da Igreja, a guerreira da ação social fazia diversas campanhas de arrecadação e encaminhava mantimentos para os mais necessitados. Incontáveis famílias receberam de alguma forma seu auxílio, se eternizando no dia a dia, por fazer o bem. “Ela tomava a situação para ela, enfrentava o problema e metia a cara, como se toda a responsabilidade fosse dela”, diz a irmã Marileide.

No bairro Ida Cardozo, a amiga Maria Alves presenciou uma de suas ações que ficou registrada na sua memória. “Tinha uns gêmeos chamados Marcílio e Marcelo, ela os encontrou e comentou comigo: achei algo doloroso, a mãe abandou os filhos e quem toma conta é uma senhora doente. Chegamos lá, tinha duas crianças pequenas, em condições sub-humanas,  logo um deles nos pediu um pão e Cilinha começou a chorar . Ela comprou o que eles tinham pedido e levou o caso na Promoção Humana. O grupo disse que ia fazer uma visita e em alguns dias iria arrecadar os recursos para ajudar as crianças. Mas Cilinha não aguentava ver gente precisando, e ela questionava se está precisando hoje, como vai poder ficar esperando? Então ela saiu de porta em porta pedindo ajuda, pegou do dinheiro dela comprou umas telhas para consertar a casa dos meninos e foi levar os mantimentos, depois de um tempo a Promoção Humana fez uma campanha para fazer mais um cômodo na casa deles, mas Cilinha acompanhou esses garotos até ficarem grandes”.

 

Dia de São João Bastita

 

A saúde da guerreira começou a dar sinais de fragilidade. Ao participar de um cortejo fúnebre,  passou mal subindo a ladeira que dá acesso ao cemitério municipal, foi então que procurou um cardiologista para realizar uns exames. A notícia não foi boa, Cilinha tinha um escape em uma das válvulas do coração e necessitava passar por um procedimento cirúrgico.

Muito religiosa, Cilinha apostou na fé e não parou diante da enfermidade, tentando por diversas vezes continuar as obras sociais nos bairros. “Mesmo doente, ela andava pedindo coisas para os pobres e ocupava grande parte do tempo ajudando o outro. Nunca estava satisfeita pelo que estava fazendo, então sempre tentou cada vez mais fazer o bem e caminhar em busca da resolução dos problemas do outro. Isso ajudava a enfrentar a doença, mas muitas vezes não dava, mesmo querendo ir, percebia que ficava cansada e as vezes passava mal”, lembra a irmã Marileide.

Algumas amigas de Cilinha contam que a brincalhona colega sempre dizia que gostaria que sua morte acontecesse no mesmo dia da festa São João Batista, porque a cidade estaria em festa. Coincidência ou não, ao chegar no dia do padroeiro da cidade, em 23 de julho de 2009, seu quadro de saúde se agravou e após sofrer um enfarte, Cilinha foi levada ao hospital mas não resistiu, falecendo a caminho. “No dia que faleceu, mãe me disse: vá para missa em homenagem a São João Batista, eu não vou poder ir, mas você vai. Quando fui almoçar, ela disse que não estava passando bem e iria ao médico mais tarde. Mesmo não muito bem, mãe voltou a pedir para que fosse na procissão e na missa”, conta Clesciane.

Maria Alves recorda que estava na procissão quando escutou a notícia e mesmo após ter superado a morte da amiga, diz não esquecê-la por um instante. “Foi uma morte rápida e inesperada, pois mesmo debilitada não acreditávamos que isso fosse acontecer, Cilinha sempre se mostrou uma rocha. Senti muito com sua morte, éramos carne e unha. Mesmo após seu falecimento, nós da Promoção Humana nunca falamos que ela faleceu, porque toda vez que temos reuniões, sentimos a presença dela entre nós. Minha amiga e irmã, deixou uma história muito bela, que vai ficar para sempre na memória dos lapoenses”, conclui.

Sensibilizado com a história, o Prefeito de Lapão Hermenilson Carvalho homenageou Cilinha, nomeando o novo centro de ação social com o seu nome. O CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), vai oferecer orientação e acompanhamento psicossocial e jurídico  para pessoas em situação de ameaça ou violação de seus direitos por ocorrência de abandono, violência física, psicológica ou sexual. A irmã da homenageada, Zélia,  diz que a família ficou lisonjeada com o merecido tributo e afirmou: “Cilinha era uma mulher de boa índole, uma ótima filha, mãe e avó. Me recordo diariamente da minha irmã como uma mulher maravilhosa que por onde passou deixou sua marca fazendo caridade não só materialmente, mas com orações. Agora que o mestre Jesus a chamou para fazer a grande viagem, ela vai continuar a fazer o bem espiritualmente e será lembrada por todos com muita saudade”, conclui a irmã.

 

Daniel, o Futuka: Com a máscara, esqueço problemas e encarno a missão de fazer sorrir

Por Pedro Moraes

Munido de calças largas, maquiagem, fantasias e sapatos largos, lá vem o colorido e engraçado Palhaço Futuka, um soldado da alegria, que em cada cidade que visita luta para levar o sorriso e acender o brilho nos olhos das crianças.  Espantando a tristeza, o personagem interpretado pelo artista circense Daniel Henrique é aclamado pela molecada e garante, ao lado de outros artistas, casa lotada para o Circo Húngaro, que já percorreu diversos estados como a Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo e Ceará.

O artista de 21 anos nasceu em Maceió-AL e adquiriu ao longo da vida sensibilidade e habilidade para desempenhar diversas funções. O treinamento começou aos cinco anos, com o número mundialmente conhecido como “atirar facas”. Em seguida, aprendeu malabares e, aos 16 anos, começou a interpretar o palhaço Maluquinho, que se transformou posteriormente em Futuka. Daniel explica que “no circo, todo mundo acaba fazendo várias funções, cada um faz um pouco de tudo”. Ele mesmo, faz divulgação no carro de som, ajuda na portaria,  dança, faz malabares e  dublagens, porém, o que mais gosta é de interpretar o palhaço Futuka: “Amo a vida do circo, nunca pensei em largar, a identificação é total”, confessa.

Daniel Henrique nasceu no circo e herdou a tradição de uma família circense, iniciada há muitos anos pelo bisavô João, cigano de origem húngara, e a bisavó, que era turca. Atualmente, a família está espalhada no Brasil, fazendo espetáculos em 12 circos.

Atualmente viver de circo é possível’

Daniel: Não acreditam que sou palhaço

– Sou da quarta geração e percebo que atualmente viver de circo é possível. Antigamente, era muito difícil, tenho primos que não aguentaram e saíram dessa vida para fazer coisas tradicionais como medicina e direito. Antes, os espetáculos não eram valorizados,hoje temos apoio da Funart, que abre vários editais de fomento à cultura circense  e contamos com um público maravilhoso que valoriza nossa arte. Os circos já se encontram em outro patamar –  ele argumenta.

O Circo Húngaro tem um ano e meio de fundado. Antes, os artistas trabalhavam em outro circo da família, o Delibano. Porém, com o crescimento da família, a tendência natural foi expandir.

– Conseguimos trocar uma caminhonete por uma lona, no começo, não tínhamos iluminação e transporte. Me lembro que no primeiro dia de espetáculo não tínhamos dinheiro,  estávamos zerados e para completar o dia da estreia faltou energia; no outro, a cidade sofreu com chuva forte; e, no domingo, deu pouca gente. Porém, não nos abalamos. E, graças a Deus, na segunda-feira, lotou. Foi ali que nossa história pôde ser continuada. Hoje, temos um trabalho mais profissional, antes de ir para uma cidade analisamos como está o comércio, a agricultura, o clima, se o local teve festas recentemente e só assim providenciamos as documentações necessárias para nos instalar e começar a produção – conta.

Casado com a trapezista Tuanny, o palhaço mora com os pais e irmãos em casas sobre rodas, conhecidas como “moto-home”. A vida nômade considerada charmosa para alguns e  louca para outros, não traz grande problemas e com o suporte virtual da internet eles conseguem construir e cultivar relações fora do circo.

– Amigos mesmo que criamos é mais da família do circo. São 28 pessoas que nos acompanha para todos os locais. Mas, mesmo não criando raízes nas cidades, conseguimos cultivar amizades sólidas, conhecemos alguém nas cidades e temos de 10 a 15 dias de contato. Às vezes é pouco, porém mantemos o relacionamento via internet ou telefone.  Tenho quatro perfis lotados no Orkut, uso o Twitter e meu MSN tem aproximadamente 6 mil contatos e toda vez que voltamos para uma cidade sempre acontece um reencontro – diz Daniel.

Com a máscara esqueço meus problemas’

Com as crianças, interação total

Daniel é muito mais quieto que o Futuka. Em uma rápida conversa dá para perceber que são duas identidades opostas, com poucas semelhanças. “Quando falo que sou palhaço quase ninguém acredita, até porque muitas pessoas não entendem que lá é um personagem, algo que não sou. Apesar de não conseguir ser a mesma coisa do palco fora dele, quando boto a roupa, a maquiagem e entro no picadeiro tudo muda. Não sei o que acontece, é instantâneo faço palhaçada na mesma hora como se estivesse fazendo isso sem parar há mil anos. Com a máscara esqueço meus problemas, broto um sorriso e encarno a missão de fazer o outro sorrir”.

Aparentemente, não é só o artista que esquece os problemas. Olhando para esse lugar mágico chamado picadeiro, a plateia eufórica incorpora a fantasia das cores onde as palmas e gargalhadas imperam. Mas, o que acontece quando as cortinas se fecham? As brincadeiras adormecem na realidade e os personagens lavam os rostos, voltando a ser pessoas normais, com lágrimas, fragilidades e defeitos como qualquer outra pessoa.

É por isso que ele  não gosta de falar que é palhaço. Teme que as pessoas – e principalmente as crianças – se desencantem. Como já aconteceu, aliás. “Teve uma mãe que veio ao circo, para que o filho me conhecesse pessoalmente e quando ele me viu, começou a chorar dizendo que não era o Futuka, isso me comoveu bastante, coloquei o chapéu fiz umas brincadeiras,  mesmo assim ele não se convenceu muito. As crianças  têm uma imaginação fantástica, adoro a forma que elas me olham e interagem comigo. Digo que moro na lua e elas inocentemente me tocam achando que sou de mentira. É mágico, não quero estragar isso” – encerra o artista.

Texto: Pedro Moraes  | Fotos: Armstrong Ferreira

Postado em: 16/06/2010 (revisado: 03/02/17)

 

9ab3fd6e-cee3-4e66-936f-b5ed87fafd1eRespeitado pela comunidade e por integrantes mais velhos da religião, o jovem Dijalma dos Santos, de 19 anos, ou simplesmente Dijalma de Ogum, líder do terreiro Ylê Axé Orixalá no bairro Ida Cardoso em Lapão, é reconhecido pelo programa do governo federal “Terreiros do Brasil” como o pai de santo mais jovem da Bahia. Dijalma que herdou os conhecimentos da avó dona Rosália, que tinha um terreiro em Lagoa do Gaudêncio, comunidade remanescente de quilombola, conheceu a religião ainda pequeno e logo sentiu a vocação para o candomblé. “Comecei zelar de santo (cuidar das imagens e do ambiente) com apenas sete anos, observava ela fazendo as obrigações dela no terreiro e sempre tive vontade. Três anos depois, com dez anos, minha avó parou e comecei a herdar as coisas dela,  meu tio jogou os búzios e os orixás me apontaram como o seu sucessor. Fiquei alguns meses me preparando e me tornei pai de santo. A primeira vez que incorporei foi muito forte, senti uma força que não sei de onde veio. Certa vez tentei parar, mas a força dos orixás foram maiores que a minha e sigo até hoje.” lembra Dijalma.

 

whatsapp-image-2017-01-30-at-16-32-56O terreiro é uma casa de Oxalá, com predominância da cor branca, com imagens, incensos e velas. O local tem as portas pintadas de azul, uma referência a Ogum, orixá guia de Dijalma. O local é frequentado por diversas faixas etárias, não e difícil ver crianças e adultos dividindo o mesmo local respeitando Dijalma como líder e conselheiro espiritual. “A relação é de pai. Muitos me chamam de padrinho. Temos filhos de santo nessa casa que vai dos 4 a 50 anos. Crianças ou adultos todos me respeitam. Muitas pessoas nos procuram em busca da paz, às vezes por falta de saúde e trabalho ou até desavenças sentimentais. Elas chegam para pedir conselhos e serem ouvidas, converso  muito com elas e fazemos orações. Algumas vezes indico uns banhos, com plantas da mata, morada de Oxossi. Os banhos com as folhas de Ossanha, trazem paz, força e afasta os espíritos ruins que estão por perto atrapalhando alguma coisa, muitos deles com apenas um banho já se sentem melhor.” Revela o pai de santo .

Social – O terreiro de Dijalma realiza frequentemente aulas com pessoas interessadas sobre a cultura negra, falando de ensinamentos do candomblé com as histórias dos orixás e os cânticos ajudando a preservar e imortalizar a cultura afrodescendente.  “Também ajudamos pessoas a se libertarem de vícios e de coisas ruins desse mundo, aqui mesmo veio um rapaz alcoólatra, ele com a mulher bebiam bastante deixando a família desestruturada. Ele veio aqui, conversamos muito e trabalhamos para resolver isso. Agora ele está aqui conosco e largou o vicio”.

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Preconceito – Apesar ser uma religião secular, o candomblé, assim como outras manifestações da cultura negra ainda recebem represarias e preconceitos por diversas pessoas.  Não seria diferente por aqui. Apesar de afirmar não se incomodar, o pai de santo Dijalma diz que até viatura policial esteve no terreiro. “Tinha uma senhora que dizia que fazíamos coisas para o diabo, chamou a polícia uma vez, mas ela nunca conseguiu fazer nada demais conosco. Existe muito preconceito, mas em nove anos de trabalho, percebo que já mudou muita coisa, não tenho vergonha de mostrar as pessoas minha religião que é bela e prega o bem. Cada um segue o caminho que Deus abriu para seguir, por isso respeito todos que seguem outras religiões”.

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Contato: 074 9.9978-7743 /074 9.9973-4902

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“Sou Alfredo José Rosendo/Filho de Modesto e de dona Brisdinha/

Se eu não faço um poema melhor/É porque não frequentei a escolinha”

Por Pedro Moraes

As gotas geladas de uma suave garoa tocam suavemente na terra seca e árida, em um fim de tarde em que o chão quente do semiárido agradece aos céus pela benção de encontrar com sua fonte de energia, exalando assim, o cheiro de terra molhada, sinônimo de prosperidade na vida do sertanejo. O São João, árvore típica da biodiversidade local, abre suas flores, amarelas feito ouro, provando para quem duvidar que a beleza surge no improvável. Em torno deste cenário, que flerta entre o belo e a simplicidade, encontro seu Alfredo Rosendo, um lapoense de expressão forte, alto, de voz firme e corpo esguio, com 89 anos de histórias, causos e lições de vida. Em uma casa antiga, feita com as próprias mãos, “Seu Fredo” como é carinhosamente conhecido, mora em companhia de ilustres convidados: a música e poesia.

O cheiro do café passado na hora abre as portas para uma longa conversa sobre a vida, sonhos e a arte, despertada em 1985, quando seu município de origem, Lapão-BA, tentava se emancipar. Em versos simples, de um homem que nunca foi à escola, Fredo foi de encontro aos velhos coronéis da terra e declamou com garra e coragem a seguinte estrofe:

“Deixa de tanta promessa/ deixa de tanto esperar/ agora chegou a vez/ de Lapão emancipar. Lapão já foi muito atrasado/ só quem viu sabe contar / Só tinha duas escolas, mesmo assim particular/ Hoje, o Lapão já conta, no setor da educação / Com um dos melhores colégios da microrregião.  Lapão tem um povo hospitaleiro / Isso eu não nego / só faz muito fuxico na época da eleição / deixa de tanta promessa/ deixa de tanto esperar/ agora chegou a vez/ de Lapão emancipar”.

De acordo com Alfredo, na época, algumas famílias tradicionais reuniram 500 assinaturas em um manifesto contra a emancipação. “Eles alegavam que a cidade era a ponta da rua do município de Irecê, mas eles tinham interesses pessoais por trás disto, achei que não tava certo, porque Lapão já estava desenvolvida, foi então que tive a vontade de fazer meu primeiro verso e dei uma chicotada neles”.

‘Não tinha como estudar, e chorava’
Frequentar uma sala de aula foi o maior sonho do poeta sertanejo, porém os tempos difíceis da época de criança não deixaram sua aspiração virar realidade. Apesar de não poder ir à escola, sua vontade era maior que a maioria dos obstáculos. Com uma “banda” de toucinho de um porco gordo, doado pelo seu avô, foi para cidades vizinhas vender a mercadoria. Ao todo conseguiu 200 réis, dinheiro suficiente para comprar um livro ensinando a arte do ABC. “Quando meu avô trouxe o livro, só fui dormir quando aprendi a primeira carreira de letra, gravei até o ‘é’, depois fui tocando meus estudos para frente. Em quinze dias, já sabia ler. Meu avô morreu na grande crise de 32, e fomos trabalhar numa roça que só tinha onça e caititu. Lá, passei de inteligente e fiquei conhecido por fazer um cavaquinho com uma faca com apenas 12 anos, ficou tão bom que muitas pessoas quiseram comprar, acabei vendendo para comprar uma roupa bem bonita que fazia tempo que não tinha”.

Apesar do esforço, o garoto promissor ainda não sabia escrever até que a noiva do tio questionou: “Você já sabe fazer seu nome?” triste e envergonhado ele respondeu: “Não”. Foi então que a jovem segurou em sua mão e com um toco de madeira riscou o nome do menino para ele copiar. “Fiquei muito feliz, gravei aquilo e nunca vou me esquecer, saí correndo para mostrar a todos, mas muita gente não acreditou. Meus parentes só acreditaram de verdade quando a moça chegou e confirmou tudo. Sonhava tanto em aprender que quando ia comprar alguma coisa montado no lombo de um jumento, passava por perto da escola, amarrava o animal e ficava ouvindo eles aprenderem e passava a tarde toda. Quando chegava em casa minha mãe questionava você foi no Lapão ou no Japão?”, lembra o poeta.

Infelizmente, a vontade de aprender chocava com a dura realidade e o sonho de frequentar as salas de aula para se tornar “um homem letrado” se tornava cada vez mais distante. “Foi muita vontade, mas fiquei só na vontade. Minha mãe era viúva e tinha seis filhos, ela me dizia: ‘Vamos plantar um algodão se a lagarta não comer compro sua farda, e você vai para escola’, mas foram anos duros, a região passava por uma seca danada, sobrevivíamos com cuscuz de mucunam, que é um caroço vermelho e venenoso, mas colocávamos de molho, quebrava a casca e tirava uma folhazinha que tem dentro e moía. Então, realmente, não tinha como estudar e chorava que as lágrimas desciam. Fiz até um verso que é mais ou menos assim: Na idade de dez para onze anos / sorri pouco porque a coisa era muito feia / só comia um alimento que não era do mato / se fosse em casa alheia”.

“Hoje sei escrever um pouquinho e fazer umas continhas. Não leio cantando como um formado, mas graças a Deus, não sou cego”, ele diz. Mas, nem só de poesia se inspira Alfredo, o poeta sertanejo, que também “toca uns tonzinhos” para se divertir. “Comecei a tocar com 12 anos, na época que fiz o cavaquinho, via meu tio fazendo uns tons e fui aprendendo. Logo as pessoas me chamavam para bater uma sanfona e tocar violão, mas hoje é só para se divertir em casa. Toco umas músicas de igreja, uns sambinhas e uns sucessos de Amado Batista, Waldick Soriano, Vicente Celestino e Alvarenga e Ranchinho”.

Alfredo casou a primeira vez com 16 anos, teve dois filhos e ficou viúvo. Ainda jovem começou a labuta. Após a vida do campo, trabalhou durante 40 anos como barbeiro e marceneiro e conta orgulhoso que todo serviço era feito com prazer. “Gostava quando cortava o cabelo e o cliente exigia o corte e qualidade no serviço. Se fosse fazer um móvel, fazia com todo capricho, escolhia sempre uma madeira boa e buscava a perfeição. Fiz móveis que até hoje nunca descolaram uma placa. Ganhei fama por aqui, o povo comentava: ‘Esse é bom no machado’.”

Apesar de nunca ter lido um livro de poesia, os versos de Alfredo brotam com naturalidade. Com uma linguagem regional, rica em detalhes e lembranças de um povo sofrido e lutador, o poeta sonha em publicar seus versos, já impressos artesanalmente, feito cordel, e distribuído na cidade. Porém, esse almanaque vivo, simples, inocente e sábio, precisa de apoio para imortalizar suas lembranças, seja para falar de um sorriso de uma criança, uma gameleira ou de uma gruta, Alfredo deseja publicar um livro, e contribuir para deixar escrita na história a riqueza e a poesia do homem do campo.

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