Imagem  —  Publicado: 30/04/2013 em fotografia
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A ditadura invisível

Publicado: 30/04/2013 em Jornalismo
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Quem disse que a liberdade existe? Voar até suas asas queimarem ao tocar no sol ou se cansar de sentir o vento tocando nas penas de suas asas são práticas utópicas. No passado lutaram bravamente por uma ditadura visível, tocável, onde as mazelas eram escancaradas. A ditadura se disfarçou, mudou de uniforme e voltou na sua forma mais letal e sutil, sendo invisível ao olhar despercebido, te oferecendo doses diárias de Prozac para que tudo se pareça “normal”. Essa normalidade me incomoda. A sensação que tudo está dando certo me fornece a certeza que vivemos em gaiolas invisíveis com as portas abertas, porém, com um sistema opressor fortemente armado, que te impõe normas e padrões que não deixam suas asas ousarem a sentir o vento e passar pela pequena e cintilante porta de sua grade. Lutar e transgredir ainda é preciso, pois a “normalidade” é anormal.

Queridos colegas jornalistas. A trabalho, estou investigando as atividades de uma ONG chamada CESAB-SF (Centro de Estudo Socioambiental da São Francisco), suspeita de compra de votos e distribuição irregular de cestas básicas em favorecimento de um candidato no município da Barra-BA.  Quando estava em uma avenida tirando fotos da frente da casa onde funciona a entidade, fui surpreendido pelo presidente da ONG, Hamilton Pinheiro, que me agrediu verbalmente e fisicamente com empurrões. Não contente, o presidente da entidade me ameaçou de morte e pegou minha câmera fotográfica jogando no chão danificando o equipamento. Segue em anexo, cópia do boletim de ocorrência da delegacia da Barra,  foto do momento em que Hamilton se dirigiu para a agressão e imagens do equipamento danificado.

Conto com o apoio dos colegas para publicação desse fato, que só empobrece a liberdade de imprensa.

Cordial Abraço,

Pedro Moraes

Roda Viva do Sertão

Publicado: 24/05/2011 em fotografia
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Viva

Radiante

Publicado: 24/05/2011 em fotografia
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Por Pedro Moraes

Percebemos diversos grupos de jovens que extravasam suas inquietudes das formas mais subversivas possíveis, como o consumo desenfreado do álcool, a direção alcoolizada de veículos sem habilitação, a permanência nas ruas de madrugada, a prática de sexo em vias públicas e o consumo de diversas drogas ilícitas, como a maconha e o crack.
Sabemos que todos esses problemas vêm de berço. Inicialmente, cabem as famílias coibirem tais atos, com o diálogo e uma orientação contínua, que precisa ser ao mesmo tempo dura e acolhedora. Contudo, ao invés de orientar, os pais estão perdendo cada vez mais espaço e os filhos se sentem no direito de comandarem a situação, sem qualquer repressão posterior. A tradicional “bronca” foi abandonada por um tapinha nas costas com a frase subconsciente: “Filho erre novamente, seu pai assume sua barra”. Como os problemas não são meramente caseiros, eles trazem consequências danosas para toda a sociedade, já passou da hora dos poderes públicos e as famílias lutarem com mais afinco para solucioná-los.
No caso do álcool, podemos afirmar com toda segurança possível que a grande maioria dos mercados, armazéns e bares do município e microrregião de Irecê, vendem sem qualquer cerimônia bebidas alcoólicas e cigarros para menores de 18 anos. O que muita gente finge não saber, é que o ato vergonhoso, que visa unicamente o lucro, desobedece o artigo 243 do estatuto do adolescente que prevê pena de até 4 anos de reclusão, acompanhado por multa,  “para qualquer pessoa que vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida (art.243)”, diz o estatuto do menor.
Diante de uma geração que abandona em passos largos o hábito da leitura, também encontramos uma infinidade de alunos que fardados com as camisas de seus respectivos colégios, se privam de conhecimento e trocam as salas de aula pelo uso incansável de bate-papos virtuais em lan houses, ou passam seus dias sentados em um banco de praças públicas ao lado de um litro de refrigerante “turbinado” com Pitu, 51, Montila e outras tantas bebidas.
No trânsito, os menores circulam livremente pilotando motos, dirigindo carros possantes com aparelhos de som amplificados e fazendo diversas inflações, como subir em passeios, realizar manobras arriscadas e exibirem os famosos “cavalos de pau”, demonstrando todo seu “poderio” adolescente. Todos sabem que dirigir sem habilitação é crime e para ter a autorização necessária, o condutor precisa ter a idade mínima de 18 anos, tenho certeza que isso não é novidade para ninguém. Porém, com uma fiscalização ainda incipiente, virou uma tradição os pais liberarem os veículos para menores, ainda sem maturidade, despreparados psicologicamente para utilizar tal ferramenta, que pode virar uma arma letal com o uso inadequado. Sejamos coerentes, qual maturidade um jovem adolescente tem para pilotar uma moto ou carro?
Precisamos urgentemente de ações concretas de todos os poderes públicos para solucionar esses problemas. Investir em educação de qualidade, cultura, esporte e meios de entretenimento “saudáveis” é uma fórmula precisa para combater todas essas problemáticas em médio e longo prazo. Porém, também necessitamos de órgãos com a função de coibir tais práticas.  O poder judiciário, por exemplo, ninguém entende o motivo, mas não implementa no município um Juizado de Menores, que amenizaria de imediato algumas dessas problemáticas. Visto que a ação dos agentes de proteção (antigos comissários de menores) tem como objetivo “o trabalho de fiscalização, assistência, proteção, orientação e vigilância a menores, previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como o cumprimento de medidas judiciais específicas”.
Os poderes competentes precisam parar de olhar para os botões do próprio terno e realizarem ações em consonância com as necessidades da população. As famílias precisam acordar, e deixar as fofocas sobre o outro de lado e olhar para sua casa. Está faltando praticas básicas, como olhar, ouvir, sentir, buscar e conhecer.  Pois é só assim, que conhecemos os anseios do local, no qual muitas vezes vivemos protegidos por uma cúpula de vidro.

“Não tenho medo de reclamação, dirijo em todos locais da região e coloco o som na altura que quero porque nunca ouvi falar que alguém daqui teve problema com isso”.

Por Pedro Moraes

Venho recebendo constantes denúncias de diversas pessoas que estão se sentindo prejudicadas pela intensa poluição sonora, que se alastra com cada vez mais intensidade na microrregião de Irecê.  O cenário não é diferente em nenhuma das localidades, carros equipados com aparelhos sonoros de alta potência, passam nas ruas com o volume acima do permitido em qualquer horário, as festas são executadas sem nenhum tipo de domínio acústico, os bares colocam som ao vivo ou mecânico sem controle de altura ou horário e o comércio não se cansa de usar os carros de som rodando pelas cidades anunciando suas ofertas.

Em Lapão, muitas pessoas que preferem não se identificar, por receio de algum tipo de coação, alegam não ter condições de trabalhar ou simplesmente dormir com o intenso barulho nos bares da cidade e carros com som. Essa situação é vivenciada por um lavrador que mora em uma das ruas atrás da AV. ACM, que dá acesso à cidade. “No outro lado da rua tem um bar que funciona durante toda a semana vendendo espetos de carne assada e cerveja a noite. Se chama Espetinho do Wilson, ele não me dá sossego. Sou paciente, mas mesmo assim não estou aguentando, na segunda, trabalho cedo e no domingo o barulho só acaba depois das duas da manhã. Agora me diz, como posso acordar às cinco se durmo depois das duas?”, questiona o agricultor.

Praça Bráulio Cardoso

Outro morador da cidade, que reside na praça central tem o mesmo problema. “Na Praça Bráulio Cardoso tem um local chamado Bar do Enoque, que colocam uma caixa de som e todo fim de semana leva uns cantores para cantar o mesmo repertório, já gravei todas as músicas. E tem outro, na mesma rua, chamado Mega Bar que coloca um som mecânico super alto. Se o som ainda fosse baixo tudo bem, mas parece que esses bares colocam as músicas para todas as ruas vizinhas ouvirem e não só para os clientes. Na minha sala, não dá para ver televisão direito, se for conversar, tenho que trancar as janelas e a porta. Para dormir, não tenho direito de escolher o horário, é só quando a farra parar. Tentei reclamar, fui ao bar, conversei com um funcionário, liguei para a polícia, mas nenhum dos dois me deram atenção. Alguém tem que tomar providência, não é possível que o divertimento de poucos que sentam nas mesas da praça seja mais importante que o direito de dormir de moradores de várias ruas”, desabafa.

Na Rua Antônio Pereira da Silva, os moradores dizem que a realidade é ainda mais complicada. Um comerciante que tem um estabelecimento próximo a sua casa comenta que na localidade o único dia de tranquilidade é na segunda. “Se alguém chegar aqui na rua até às 22h,  pensa que o lugar é um paraíso, mas certamente chegando depois das 0h vai conhecer outra realidade. Tem um bar bastante conhecido, chamado Tenta do Carlinhos que só deixa as pessoas terem sossego na segunda, pois durante todo o resto da semana ele fica até 3h da manhã aberto e se não bastasse o barulho interno, ainda tem pessoas que não conseguem entrar no estabelecimento e ficam de fora conversando alto e zoando na rua. O som do bar é alto,  mas o que incomoda mais é o público, é gente gritando, falando palavrões e carros que ao saírem cantam pneu e aumentam o som. Em decorrência disso, não durmo bem  e acabo tendo que lutar durante o dia para não ficar mal humorado, e não descontar o stress nos clientes ou na minha família, pois a ausência do sono causa irritação. Fiz uns tampões nas centelhas das janelas para minimizar o problema, mas mesmo assim, o barulho entra. A justiça deveria obrigar esses estabelecimentos que são próximos a residências, a usar um isolamento acústico e a polícia deveria fiscalizar mais isso. Sinto-me  lesado, pago meus impostos em dias e não precisaria ficar fazendo denuncias sobre isso, até porque existem leis que são fáceis de serem cumpridas, bastas às autoridades quererem colocá-las em prática”, disse o comerciante.

Na cidade, o maior problema em relação à poluição sonora é o volume excessivo dos aparelhos de som dos veículos. Eles não obedecem a horário, nem muito menos o nível de ruído, a problemática é tão comum que já virou um hábito, hoje, dizer que tem um carro em Lapão que não seja bem equipado com esse acessório soa estranho. O menor de iniciais ASD, de apenas 15 anos, afirma que o pai colocou o som no carro com uma potência considerável a seu pedido e que infringe a lei pela certeza da impunidade. “É massa demais, onde paro faço a festa. Não tenho medo de reclamação, dirijo em todos locais da região e coloco o som na altura que quero porque nunca ouvi falar que alguém daqui teve problema com isso”, diz o estudante. Na Rua José Mangueira, um funcionário público conta que em um bar de sua rua, vários clientes param o carro em frente ao estabelecimento e abusam do som alto. “O próprio proprietário tem um carro e faz isso. Quase todos os dias eles encostam na calçada e ligam o som em altura que incomoda a rua toda, já fui na delegacia registrar ocorrência e ao Ministério Público, ambos disseram que iriam resolver o problema, estou aguardando”.

O capitão da policia militar, José Renato, convocou para uma reunião alguns proprietários de bares da cidade expondo os problemas. Ao término, foi combinado informalmente que os donos dos estabelecimentos iriam se comprometer em reduzir o volume, assim como não atender clientes que estejam com o aparelho de som ligado. O militar ainda disse que no descumprimento do acordo, ele iria acionar o poder judiciário para resolver o problema. Mas, infelizmente na mesma semana da reunião a situação permaneceu a mesma.

A Superintendente de Apoio Rural e Meio Ambiente e presidenta do Conselho em Defesa do Meio Ambiente, Lucivanda Oliveira Porto, reconhece a gravidade do problema e promete em breve algumas mudanças. “O código municipal de meio ambiente e o conselho foram implantados e estão aptos a funcionar. Já solicitamos um decibelímetro (aparelho responsável para medir o nível de ruído) e em parceria com a polícia militar vamos verificar a situação para tomar as devidas providências”.