Zezéu Ribeiro solta o verbo!
Em entrevista exclusiva ao repórter Pedro Moraes, o deputado federal Zezéu Ribeiro (PT-BA), avaliou a política no âmbito regional e estadual e comentou as relações partidárias com o pré-candidato do partido ao cargo de deputado estadual, Joacy Dourado. Zezéu também debateu sobre a ruptura do PMDB com o PT na Bahia, a saída de Marina Silva do partido e anunciou investimentos para a microrregião de Irecê.
Confiram abaixo, na íntegra, o depoimento do parlamentar que esteve ontem (28) na IV Conferência das Cidades em Irecê.
PEDRO MORAES – Ontem o senhor chegou à microrregião de Irecê e visitou algumas localidades anunciando investimentos no setor esportivo e de infraestrutura. Quais os locais o deputado percorreu nesta visita e o que foi anunciado?
ZEZÉU RIBEIRO – Vim à região a convite do prefeito Pedro Rocha de Uibaí e do secretário de infraestrutura Zé Marcelino, de Irecê. Estive com Pedro em diversas comunidades rurais debatendo as políticas do governo Lula e do governo Wagner, assim como, a relação que podemos estabelecer com as prefeituras, fazendo uma articulação e parceria entre os três níveis de governos para conquistar políticas públicas para os municípios. Pedro Rocha e Zé das Virgens têm uma preocupação muito grande não só com a cidade deles e sim com a região e isso engrandece o debate.
A noite passada (28) estive em Itapicuru com o secretário Dóia (da agricultura), para anunciar uma emenda que vai sanar uma reivindicação antiga de pavimentação no valor de R$200.000,00. No sentido de melhorar as condições de vida, estive na Praça Chico Mendes, onde tivemos uma reunião ampla com lideranças, discutindo a política nacional, debatendo o pequeno espaço onde nós vivemos, bem como a política geral do mundo. Em Amargosa o lema da cidade é: “Amargosa um pedacinho do Brasil” a gente vive o Brasil em Amargosa e para quem vive em Irecê o Brasil é Irecê. É a relação que estabelecemos na família, no trabalho, no sindicato, na igreja, na associação, nos clubes que geram valores, que interferem na realidade que queremos transformar, fazendo isso, é que pensamos globalmente e agindo localmente, que construindo a política. Essa é uma prática que está sendo executada por nós, particularmente na região de Irecê.
Hoje, estamos participando dessa conferência da cidade que é uma reunião importante que busca estabelecer o vínculo entre município e estado, e essa união afirma políticas do âmbito geral, com as demandas da sociedade, entre tantas, postos de saúde, escola, quadras esportivas, pavimentação e uma política de desenvolvimento urbano maior, como o direito a moradia. Estou voltando para Salvador, vou participar do Fórum Mundial, mas passarei em antes em João Dourado para rever os amigos.
Nós aprovamos a recuperação de quatro campos de futebol, demanda do companheiro Neo, e nesta recuperação será feita a construção de vestiários, demarcação e nivelamento. É a promoção do esporte. Em Irecê, temos duas quadras, originárias de emendas nossas, uma na Vila Félix, que está sendo finalizada e outra inaugurada há mais tempo no bairro Lagoa do Barro.
Em Uibaí, também temos duas quadras, posto de saúde e estamos lutando pela pavimentação e recuperação da estrada que liga Central a Ibititá, passando por Uibaí. Estamos trabalhando também pela recuperação do abastecimento de água. O governador chega na próxima semana na região para anunciar obras. Na política, em umas atividades nós temos uma participação mais direta, alocando os recursos, em outras, buscamos acompanhar as demandas locais formuladas pelo prefeito e trabalhamos para que elas sejam agilizadas nos processos burocráticos.
PM – Foi aprovado um projeto de lei de sua autoria e sancionado pelo presidente Lula, que garante assistência técnica a moradia para pessoas que não tem recursos. Gostaria que o senhor comentasse sobre a importância dessa lei e como se encontra a sua execução.
ZR- Hoje(29), estamos encerrando as inscrições por parte de prefeituras e entidades da sociedade civil para garantir os recursos para assistência técnica à população de baixa renda. Basicamente, aqueles conjuntos que estão efetivados pela própria comunidade, foi outra emenda que fiz, que assegura que o gerenciamento seja feito também pelas cooperativas, movimentos sociais e sindicatos que tenham experiência nessa área. Essa articulação tem elevado a construção de habitação com novas tecnologias, com muita inventividade do saber popular associado a essa assistência que vem colaborar com isso, dando o direito a população com até três salários mínimos a ter o serviço profissional de engenharia e arquitetura na elaboração do projeto e na sua execução.
PM – O senhor apoiou historicamente o prefeito Zé das Virgens em suas eleições para deputado e prefeito, que é um nome de referência dentro do Partido dos Trabalhadores. Hoje, o ex-prefeito Joacy Dourado, que tem um passado ligado à direita, é o pré-candidato do governo a deputado na região. O seu apoio continua?
ZR- Zé das Virgens é uma referência regional, Joacy também. Nós ajudamos a eleger Joacy, para prefeito e tivemos o companheiro Marcelino como vice-prefeito. Estamos construindo em Irecê há muito tempo, uma política diferenciada na região e temos mantido isso há um bom período. A eleição de Zé das Virgens é também uma consequência do apoio de Joacy, que soube romper com o esquema do PMDB que praticava uma política mesquinha e pequena, apostando no melhor para Irecê. Joacy teve a capacidade de fazer esse enfrentamento, então vamos marchar ombro a ombro nessa campanha.
PM – Mas o deputado sabe que o nome dele é contestado por diversas lideranças petistas locais…
ZR- Mas vamos conseguir superar isso quando imaginarmos que temos objetivos maiores, que é a eleição de um representante regional. Com o convívio vamos permitir aprofundar essa aproximação. Uso sempre uma sabedoria de minha avó que dizia: Meu filho, para casar tem que comer um saco de sal, e um saco de sal você não come de um dia para o outro, a pessoa tem que ter muitas refeições. O tempo vai fazer a relação amadurecer, criando mais a confiança e afirmando compromissos. Tenho certeza que o companheiro Joacy Dourado é um combatente fiel a suas causas.
PM – Zezéu, o senhor apoiou a aliança do PT e PMDB e depois declarou que seria a favor da ruptura, por quê?
ZR – Na verdade, o PMDB deixou a situação insustentável, ele que rompeu. Eles tentaram se fazer de vítima e deram um passo em falso, se acharam maior do que eram, coisa de uma arrogância que o povo percebeu. Eu sempre fui a favor da aliança do PT com o PMDB, infelizmente, o PMDB da Bahia que suspendeu.
PM – Como o deputado avalia os quatro anos do governo Wagner na Bahia e o final do governo Lula?
ZR – Extremamente positivo. Nós pegamos a Bahia numa situação muito difícil, porque a Bahia boa, com desenvolvimento, era a Bahia da propaganda, e nós modificamos isso. Buscamos construir uma cidadania, um projeto para o estado articulado com o nacional. Esse projeto afirmou o Brasil como nação, com soberania e não com integração subalterna como fazia o governo do DEM e dos tucanos.
Fizemos uma alteração com índices de RH afirmativos, o que tornou lula, um dos grandes líderes mundiais. Tivemos a capacidade de compreender as divergências e trabalhar em torno da superação. Tivemos também a generosidade de trabalhar com os mais fracos respeitando as suas debilidades, porém atraindo-os para um projeto maior. Isso permitiu uma projeção importante, um projeto tanto no plano comercial, nas relações Sul/ Sul, como na integração latino-americana, em relação a ALCA, que seria um desastre para o Brasil. Os países que se envolveram, que tinham sua economia dependente dos Estados Unidos sofreram um baque, como o Brasil diversificou as relações, tivemos uma condição muito melhor para enfrentarmos a crise.
Aliamos também as questões do mercado interno, o Brasil olhou para si próprio. Milton Nascimento tem um poema que diz: “ficar no litoral olhando para o mar e de costas para o Brasil não vai fazer deste lugar um bom país”, por isso mesmo é que estamos olhando para o interior, fixando no homem do campo, criando condições de vida, que começam com o Bolsa Família, que eles chamavam de “bolsa esmola”, que mudou a realidade das famílias e das cidades, ou com o programa de renegociação da divida agrícola, o aumento do PRONAF e seu direcionamento para o Nordeste e com o sucesso do Luz Para Todos. Assim, garantimos que os pobres se alimentassem, que tomassem um financiamento para trabalhar e com o Luz Para Todos agregasse valor à sua produção. Isso fixou o homem no campo.
O coroamento é a retomada do ensino tecnológico com sua interiorização e a descentralização do ensino superior. O interessante é que quem está fazendo isso é o quem eles chamavam de analfabeto.
PM – Recentemente nomes históricos do partido saíram do PT, como o deputado federal Bassuma e a senadora Marina Silva. Como o senhor observa a saída desses nomes? Inclusive, Bassuma em sua passagem pela região, afirmou que não foi ele quem mudou e sim o partido, o senhor concorda?
ZR – Olha, Marina é um prejuízo enorme, para o PT, Brasil e para ela, porque ela terminou em um partido que a gente não sabe para onde vai. Tem problemas no PT? Qualquer um outro têm muito mais que o PT. Erramos no trato com Marina, mesmo saindo do ministério, ela deveria ter tido um respaldo e uma posição maior de afirmar políticas. Erramos por isso, mas não tenho dúvidas que ela é uma combatente do nosso lado. Sobre Bassuma, acho que ele teve uma atitude mais oportunista, que prefiro não comentar.
PM – E candidatura de Dilma?
R- É vitoriosa. Já podemos perceber isso nas pesquisas. Na Bahia ela já passou, em Pernambuco e Rio também. Ela não precisa crescer tanto agora, isso tem que ir se solidificando nesse processo, se afirmando paulatinamente. Dilma é a esperança de consolidarmos as conquistas do governo Lula e aprofundarmos nas mudanças ainda necessárias.
PM – Existe um tema que interessa muito à zona rural, inclusive à região de Irecê, que é a aprovação da ATER, porém, também é muito comentado que a lei deveria estar em vigor há mais tempo, e como foi sancionada agora, seria uma medida voltada para eleições, até porque não teríamos mão de obra qualificada para isso, nessa proporção. Como o senhor avalia essa questão?
ZR – O governo Collor destruiu o sistema de assistência técnica rural e a abandonou. Estamos recuperando isso, porém não acontece de um dia para a noite. Quando me referir às bases para o aumento da produção rural da Agricultura Familiar, isso vem aliado à recuperação da CONAB, que tinham muitos galpões abandonados e hoje estamos construindo novos galpões porque a demanda aumentou. Se afirmarmos uma política efetiva de técnicas e inspeção rural, elevamos o padrão, verticalizando a produção, reduzindo os custos e aumentando a produtividade. Esse é nosso objetivo, estamos fazendo isso com a utilização dos profissionais que estão agora, e contamos com muitos que abandonaram por falta de oportunidade estão voltando ao mercado de trabalho.
O governo vem abrindo cursos na área tecnológica e outros acadêmicos no setor da agropecuária, na veterinária, agronomia e engenharia florestal, que vão construir um novo suporte para darmos passos sólidos, que dentro de cinco a dez anos, deixarão o Brasil na quinta economia do mundo.
PM – Uma de suas grandes bandeiras de sua campanha foi a luta pela retomada do nome Dois de Julho para o aeroporto internacional de Salvador. Quando isso vai acontecer?
ZR – Temos esperança grande. O problema é que o Dois de Julho é muito pouco conhecido na história brasileira, as pessoas de outros estados não sabem o que foi o Dois de Julho. O império combateu o Dois de Julho e retirou da historiografia nacional. Então, além de um processo político também é cultural. As pessoas se lembram do deputado Luís Eduardo, homenageado no aeroporto, porque muitos conviveram com ele. Essa mudança tem que ser construída, por isso, estamos fazendo eventos de conscientização, para e retomada, porque essa é uma exigência do povo baiano.
PM – Foi divulgada uma lista de deputados que não aderiam à Frente Parlamentar em Defesa do Diploma de Jornalista para o Exercício da Profissão. O seu nome constava, o senhor é contra a obrigatoriedade da formação de jornalista?
ZR – Desconheço que tenha saído algo nesse sentido. Sou favorável a restituição da exigência do diploma para o exercício da profissão…
PM – Mas a PEC do deputado do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta, que é o principal instrumento da Câmara dos Deputados para essa finalidade, não tem a sua assinatura…
ZR- É porque às vezes, alguns processos não passam por a gente, mas em meus posicionamentos e posições deixo isso bem claro, e as defendo, não tenha dúvidas disso.
Pedro Moraes, um músico em busca do novo som
Por Flávia Vasconcelos
Que a criatividade musical na Bahia é intensa, ninguém pode negar. Muitos ritmos desabrocharam de mentes inquietas, que não temem o novo, as experimentações e a mistura. E Pedro Moraes é uma dessas mentes baianas sempre efervescentes, faz parte de um grupo seleto de músicos soteropolitanos unindo refinamento e sabedoria musical à simplicidade de abrir-se a novas ideias, junto a novas gerações.
A música parece alcançar o seu íntimo como poucas coisas na vida. É como ele diz sobre o seu processo de produção “quando toco, nem pareço ser eu!”. Dono de uma sensibilidade ímpar, o músico possui uma sabedoria musical muito sólida, que vai desde a história da música em si e sua interferência na sociedade, até a prática, tocando música barroca, rock, tropicalismo, bossa nova, samba canção, além dos frevos que ecoam da guitarra baiana, seu preferido dentre os muitos instrumentos que sabe tocar. Sabe e tira deles o som que quiser e o que a imaginação pedir. Ele tem instinto musical.
Sempre apostando nas experimentações, foi um dos primeiros músicos a tocar na noite – ou nos bailes da vida, parafraseando Milton Nascimento – a música barroca, de um jeito bem particular e agradável ao seu eclético público. Arriscou-se também, nos anos 80, a tocar os clássicos dos Beatles no bandolim, como nenhum outro músico tinha feito até então. “A maioria dos músicos não arrisca por medo da crítica”, observa. “Eu chegava no barzinho, ali na Visconde de Itaboraí (bairro de Amaralina, orla de Salvador-BA), com o bandolim, e um outro músico trazendo o violão, e o pessoal falava: vai ter chorinho ou samba. E não tinha nada disso, era Beatles mesmo. E o público gostou.”, recorda.
Pedro começou a carreira em 1978, aos 16 anos, levando para os pequenos bares as fortes influências da Bossa Nova, os clássicos de Maysa, e, paralelo a isso, as músicas de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Os Novos Baianos. De perto, acompanhou Dodô e Osmar, toda a família Macedo e o pau elétrico, depois chamado de guitarra baiana, nos carnavais e nos ensaios, como um fã e admirador da habilidade e criatividade musical dos músicos que tinham reinventado o Carnaval baiano. Tornou-se, tempos depois, um exímio tocador de guitarra baiana e integrante do primeiro encontro, em 2007, do Grupo da Guitarra Baiana em Salvador.
A guitarra baiana e o Carnaval
A sua relação com a guitarra baiana rendeu boas histórias, inclusive com Aroldo Macedo, que chegou até ele de uma
forma inusitada e o inseriu nesse ambiente, que ele diz ser muito saudável. “Se antes eu já tinha paixão pela guitarra baiana, hoje eu tenho muito mais, porque não se vê estrelismo entre os músicos.” Após descobrir que a afinação da guitarra baiana coincidia com o instrumento que já tocava, e ver Luiz Caldas e outros artistas tocarem no Trio Tapajós nos carnavais, e a Cor do Som tocando os frevos pernambucanos e as músicas clássicas de Mozart, Pedro resolveu experimentá-la e aprendeu a tocar o instrumento.
Em 2006, após adquirir um bandolim encomendado, e tocá-lo em alguns ensaios com amigos, Pedro recebe em casa uma ligação, numa tarde, de Aroldo Macedo, que se apresentou só como Aroldo, querendo saber um pouco mais sobre o bandolim. Pediu que tocasse o instrumento e, por telefone, Pedro tocou um trecho de uma música do próprio Aroldo, sem saber que o seu ouvinte era o compositor de fato. Depois de algumas músicas tocadas, segurando o telefone, Aroldo elogiou o que tinha ouvido e foi ai que Pedro reconheceu a voz. Querendo certificar-se de que a sua desconfiança era real, perguntou se o “tal” Aroldo tinha Macedo no nome e, após a confirmação, o nervosismo de fã veio à tona. Depois dessa conversa, marcaram um encontro, e Aroldo foi até a casa do fã, que tinha se transformado em parceiro, para ver o dito bandolim. Daí por diante, Pedro Moraes fez algumas apresentações com a família Macedo, a mesma que ele tanto admirava quando era folião e acompanhava atrás do trio elétrico.
O Carnaval passou a ficar ainda mais presente na vida do músico. Segundo ele, a festa tem estado bem mais profissional, e a guitarra baiana, símbolo da festa, tem retornado ao cenário musical com a ajuda da família Macedo, com Armandinho e Aroldo, e também de músicos da nova geração, como a banda Retrofoguetes, que, em seus shows pelo Brasil, sempre reserva um espaço para tocar o instrumento. E Pedro Moraes faz parte dessa comitiva pela redenção da guitarra baiana, sendo convidado para tocar em alguns shows.
Experiências musicais
Talvez a característica maior de Pedro Moraes seja a facilidade de experimentar vários estilos musicais. A sensibilidade e a intensidade com que faz seu trabalho permitem que ele perpasse por mundos diferentes. Um exemplo disso foi o período em que integrou um grupo de música árabe, tocando bandolim e, ocasionalmente, guitarra baiana. Saiu do grupo depois de quatro anos, mas continuou com essa vertente fazendo shows em eventos de dança do ventre e em teatros. Em 2008, fez apresentações no Teatro dos Correios, no Teatro Anchieta e na Boomerangue, com a banda Retrofoguetes, acrescentando ao seu vasto repertório musical, e ao seu conhecimento sobre a história, o universo da música árabe. “De umas duas décadas pra cá, a forma de tocar música árabe mudou muito. Você ouve música eletrônica, salsa, tango e música francesa com levada de tambor árabe”, explica o músico.
Encantado com essa nova experiência, ele começou a compor, utilizando instrumentos de corda, como bandolim e a própria guitarra baiana, misturando o árabe com o ritmo latino em músicas como Flor de Guadalupe e O Fio de Ariadne, usando como mote a importância da mulher na vida de um homem, e Dança das Fadas, nunca gravada, que simboliza sua própria sensação de ver, ao lado de determinadas bailarinas de dança do ventre, uma fada dançando. “Como se fosse um anjo da guarda”, complementa.
Para Pedro Moraes, estar compondo é “como se fosse conhecer um novo amor”. A música, para ele, preenche algumas lacunas na sua vida e tem sido uma companheira inseparável. Mesmo com uma vida tão misturada à música e tendo construído uma bagagem invejável de repertório e conhecimento musical, Pedro sempre teve outro trabalho em paralelo, na área financeira e contábil, sem qualquer relação com a arte, para apenas pagar as suas contas. Afinal, além de ser o Pedro sensível, que altera os seus sentidos e sublima quando compõe ou toca um instrumento, ele também é um cidadão que assume compromissos comuns, como qualquer outra pessoa. Porém, afastado do trabalho, Pedro Moraes tenta ser, por inteiro, realmente o que sempre foi: músico. E busca ainda mais se profissionalizar e divulgar o seu trabalho.
Atualmente, Pedro Moares se apresenta todas as quintas-feiras no bar Café & Cognac, no Rio Vermelho, às terças-feiras no Kebab, na Barra, além de fazer alguns trabalhos com a Escola Musical Center.
Contatos de Pedro Moraes:
Tel: (71) 9932-6161
E-mail: prlmoraes@hotmail.com
Alexandre Peixe, Motumbá, Tatau e Saia Rodada vão agitar o Carnaval de Lapão
O prefeito de Lapão, Hermenilson Carvalho, divulgou hoje(13), em coletiva de imprensa, a programação do Carnalapão de 2010. O evento que se destaca como o maior carnaval antecipado do interior baiano, vai ser realizado nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro, no tradicional circuito da Praça Bráulio Cardoso, contando com a participação de bandas conhecidas no cenário nacional, como Motumbá, Tatau (ex-Araketu), Pimenta Nativa, Saia Rodada Elétrica, Obak, Alexandre Peixe e Bambu Beach. Os foliões também terão a oportunidade de curtir atrações regionais, dentre outras, a Banda Fênix, Napegada, Neide Vital, Dgandaia, Selva Branca, Dalibamba e Madeirada.
O município realiza há 55 anos, um festejo popular que reúne anualmente mais de 40 mil foliões por noite, que se divertem em blocos carnavalescos, atrás de trios elétricos e por bandas filarmônicas.
Programação:
05/02: Tatau
06/02: Alexandre Peixe
Bloco Moiados: – Saia Rodada Elétrica
07/02: Motumba
Bloco Moiados: Pimenta Nativa
Atrações dos Blocos:
Os Moiados: Saia Rodada Elétrica e Pimenta Nativa
Batfolia: Obak
Bloco da Saudade: Portal da Bahia e Muvuka
Galvão Júnior conta a história de Lapão com pinturas ao ar livre
O artista plástico Galvão Júnior, finalizou um afresco na praça presbiteriana em Lapão que conta a história do município e reverencia a cultura local. O trabalho que seguiu por mais de 20 dias, além de ilustrar a origem da cidade, mostra locais pitorescos, como a capela São João Batista, o salão da mocidade e prédios antigos, como os construídos por Zeca Dourado. As pinturas realizadas reconstroem e restauram um painel realizado na inauguração da Praça, na época, pintado por Galvão Júnior, em parceria com Edimário Oliveira e Zé Arcênio. “São Pinturas de raízes. As pessoas se refletem nas imagens, porque é a nossa cultura que está sendo retratada. Quem vem dos povoados e os que moram na cidade, acabam identificando as paisagens e os casarios de cada localidade. Essa obra é importante porque resgata a história de Lapão e a coloca para interagir com o público em uma praça”, diz Galvão.
O afresco conta uma história que aconteceu por volta de 1900, onde um jovem chamado Pedrinho, em suas andanças encontrou uma gameleira branca e notou que por ali existia uma fauna intensa que estava ao redor de uma enorme lapa por onde corria um lençol de água, descobrindo a gruta do Lapão. Pedrinho bem que tentou esconder o local, porém logo a informação chegou ao conhecimento de Herculano, que mandou avisar que aquele pedaço de terra tinha dono. Ao passar dos anos, o local começou a ser frequentado pela abundância de água como também pela disponibilidade de caça. Herculano Galvão Dourado, juntamente com outras famílias começaram a povoar os arredores da fonte, criando as condições do seu desenvolvimento. O aglomerado de casas cresceu, se consolidando por volta de 1920.
Natural de Lapão, o pintor nasceu na Rua do Curral, e desde pequeno despertou para a arte. “Quando estava na sala a professora ensinava o dever de matemática e ficava desenhando”, lembra Galvão. Quando morou em Feira de Santana, descobriu uma maior dimensão para seu talento pela facilidade de encontrar material de pintura e com o contato com o pintor paisagista Everaldo Azevedo. Atualmente Galvão Júnior já produziu aproximadamente 500 telas de vários estilos, passando por uma fase eclética, experimentando vários características e atualmente busca uma linguagem moderna, com elementos do regionalismo, formando um mosaico de linguagem e cores em cada obra.
Pedro Moraes
Hélio Gomes e o Cine Lapão, um casamento inesquecível
Em uma sala lotada, as luzes se abaixavam e uma voz suave e cadenciada anunciava: “Nesse horário está entrando no ar o sistema de som do Cine Lapão, hoje, vocês vão assistir o filme Paixão de um Homem, estrelado pelo cantor Waldick Soriano”. Desta forma, Hélio Gomes, abria as seções do cinema da cidade, sem saber que estava entrando para história do município por ter propiciado para tantos o contato com a sétima arte, se tornando uma referência cultural viva na microrregião de Irecê.
Hélio Gomes nasceu em Canoão de Ibititá em 1938. Com 19 anos a irmã que morava em Brasília resolveu voltar para o semiárido e morar Lapão, foi então que Hélio resolveu acompanha-la com o objetivo de abrir um armarinho. O comércio durou alguns anos, até que comprou um bar do irmão e mudou de ramo. Porém, o ambiente não era o que ele gostaria de ficar. Relembrando a época, Hélio conta que fechou o bar e tentou uma nova profissão vendendo tecidos e rádios para os comerciantes locais. “Tentei ser vendedor mas esse serviço ainda não contemplava minha opção de vida, larguei tudo e entrei no ramo de fotografia. Fazia fotos de formaturas, casamentos e solenidades. Trabalhei uns três anos com uma máquina Yashica, até que um amigo de Piritiba, chamado Marotinho, arrendou um clube e fundou um cinema por lá”.
Nasce o cinema na cidade: O cinema do amigo despertou uma nova paixão para Hélio que rapidamente pegou com Marotinho os macetes da profissão e fundou em 68 no salão da Sociedade Cultural de Lapão, instituição que na época era o presidente, o Cine Columbia. “O espaço cabia 50 pessoas, a cidade não tinha energia elétrica, o projetor e as lâmpadas eram alimentadas por um motor a óleo diesel, mas dava para fazer uma seção por dia. Quem mais frequentavam eram as famílias e os casais de namorados, que gostavam de assistir filmes românticos e aproveitar o escurinho do cinema,” diz Hélio Gomes. Com o tempo, Hélio precisava de mais espaço, foi então que teve a ideia de mudar a sala para outro ambiente. O cine Columbia ficou em uma garagem ao lado do antigo bar e por quatro anos, apresentou grandes clássicos do cinema nacional, com atores consagrados como Mazzaropi, Tony Viana, Oscarito e Grande Otelo.
Sucesso de público: Em cinco de fevereiro de 75, o Cine Columbia se transformou em Cine Lapão e mudou para um novo prédio com capacidade para 250 pessoas. A reestreia do cinema lapoense foi marcada pelo filme Elvis é Assim. De acordo com Hélio Gomes, “a seção estava lotada, Elvis Presley estava no auge, ele era um sucesso. Nesse tempo, quando o filme era bom fazíamos até três seções, com o ingresso custando aproximadamente dois cruzeiros. O cinema deu lucro, foi onde fiz meu pé de meia,” relembra Hélio.
O cine Lapão passava películas de variados estilos, românticos, épicos, bíblicos, de terror e os famosos e populares filmes de “Bang-bang”(Western) e artes marciais. Hélio comenta que Love Story, Tarzan, Digo como te Amo, O Marginal e os Dois Gladiadores foram os filmes de maior bilheteria, porém não esquece de ressaltar que o público adorava as chanchadas com Oscarito, Grande Otelo e Mazzaropi. “O cinema nacional dava muito público. Lembro que filmes como Chumbo Quente com os cantores Léo Canhoto e Robertinho, Menino da Porteira com Sérgio Reis e Roberto Carlos em ritmo de Aventura eram garantia de sala lotada.”
Atualmente na microrregião de Irecê, não encontramos cinemas. Mas até começo da década de 80 o sucesso era evidente. Hélio era o responsável por distribuir os filmes nas cidades vizinhas, ele alugava as películas em Salvador, por 150 a 200 cruzeiros e cobrava para cada cinema da região de 20 a 50 cruzeiros por exibição. O sucesso era tamanho que o ator e diretor Tony Vieira passou por vários municípios, onde Hélio distribuía as películas, como em Jussara, Barra do Mendes, Cafarnaum, Uibaí e Presidente Dutra, para apresentar os filmes e criar um vínculo maior com o público.
Fim do Cinema: Após treze anos de sucesso no novo prédio, o Cine Lapão e diversos outros cinemas ganharam um adversário forte, o videocassete, uma tecnologia que gerou uma crise quase que irreversível para vários estabelecimentos do setor. Com a popularização do aparelho, os filmes saiam de cartaz nos cinemas e em poucos meses já estavam disponíveis para locação. Além disso, as boates e casas noturnas nas cidades do interior se expandiam e o público dos cinemas ficava cada vez menor. “Todas as salas da região estavam sentindo na pele, tinha também um cinema em Barra do Mendes, esse resistiu menos e fechei. Várias distribuidoras de Salvador que nos passavam filmes em 16mm também não resistiram e estava ficando difícil até encontrar filmes nessa bitola”.
As salas começaram a ficar vazias, e não compensava mais alugar um rolo de filme para passar. O único gênero que ainda atraia grandes bilheterias eram os filmes pornôs. Foi então que Hélio decidiu investir em filmes mais caros e realizar intensas campanhas publicitárias. Porém, a estratégia não obteve sucesso. “Vinha tentando de todas as formas. Aluguei um filme caro, chamado Engraçadinha, esperava levantar a moral do cinema. Divulguei em jornais, no sistema de som, coloquei cartazes na cidade e infelizmente foi uma decepção. Só foram 13 pessoas. Fiquei tão injuriado com isso, porque era um filme romântico e histórico, com uma história muito boa e não deu público, mas quando passava filme pornô era casa cheia. Gostava de projetar filmes instrutivos, que passassem uma mensagem, não era só lucro, tinha um cinema porque achava que estava evoluindo a cidade e ajudando a engrandecer a cultura local. Então com o fracasso deste filme encerrei a atividade do Cine Lapão em 13 de setembro de 88 e não tentei mais voltar com ele,” desabafa.
Com a decepção, ele saiu de Lapão e foi morar em Salvador. Chegando na cidade, abriu uma mercearia mas logo voltou para área, se tornando um dos gerentes da Orient Cinemas, atualmente uma das maiores distribuidoras de filmes do estado. Hélio gerenciou as salas do Brotas Center, Center lapa, Cine Itaigara, Tamoio, Excelsior, Cine tupi e Cine Jandaia de Salvador. Anos mais tarde, voltou para Lapão, onde mora com sua esposa Evanilde, com quem é casado há 43 anos, ao lado do antigo cinema. “Sinto muita falta daquela época, além de ser apaixonado por cinema, meu desenvolvimento financeiro e cultural foi propiciado por ele. Não tenho como não sentir a falta. Quando entro naquele salão sinto muitas saudades de uma época que me trouxe felicidades, penso em reformar esse local e criar um espaço cultural, onde possa alugar para festas e fazer umas seções de filmes. Tem muitos jovens na cidade com ideais de teatro e outras artes e que não tem um ponto de sustentação, esse salão vai ser esse espaço” promete Hélio Gomes.
Pedro Moraes
Descaso e insatisfação. Frota de ônibus que faz a ligação entre Lapão e Irecê deixa usuários descontentes
Cadeiras quebradas, falta de ventilação, bancos sujos, transporte de mercadorias, atraso nos horários, atendimento desqualificado e falta de assentos preferenciais para idosos e gestantes são apenas alguns dos problemas levantados pela população ao se referir aos ônibus, da empresa Saturnino Turismo, quem fazem a ligação entre os municípios de Lapão a Irecê. A empresa contesta as denúncias e diz fazer o possível para prestar um serviço qualificado. Diante do impasse, cabe aos órgãos competentes verificar a situação e identificar as possíveis soluções.
O estudante João Lucas Dourado é incisivo e afirma: “os ônibus são sujos, as cadeiras ficam empoeiradas, eles precisam de uma limpeza constante, a empresa tem como obrigação limpar o transporte sempre que ele estiver sujo, porque os usuários não são obrigados a aturar mau cheiro, sujeira e viajar em veículos inadequados. A empresa também deve ter a consciência que o ônibus foi feito para levar passageiro e não mercadorias, bicicletas e grandes volumes. Às vezes fica tão carregado que é difícil até para andar”. O proprietário da empresa, Carlos Vilela da Silva, conhecido como “Carlinhos”, contesta a reclamação de Lucas e alega que a sujeira é inevitável. “Admitimos que muitos ônibus seguem para Irecê sujos. Mas visitamos vários povoados, como Patos, Queimadas, Rodagem, o acesso é feito em estradas de chão. Não tem como ficar sempre limpo, lavamos nossos veículos diariamente, mas precisamos da ajuda da população para não jogar lixo dentro do veículo. Sobre as cargas, muitas pessoas compram sua feira ou uma mercadoria e não tem condições financeiras para levar de outra forma. A única alternativa delas é nosso veículo”.
Joana da silva, agricultora da comunidade de Lajedo do Pau d’arco, utiliza os ônibus da Saturnino Turismo com freqüência e gosta do serviço prestado, porém sugere a empresa que qualifique melhor seus funcionários para agregar qualidade ao serviço, “têm muitos cobradores e motoristas sem educação que tratam mau as pessoas. Quando pego o ônibus no povoado ele vem cheio de terra e o funcionário não passa um pano nos bancos pelo menos, todo mundo fica sujo”.
Apesar da empresa alegar ter feito uma reforma generalizada nos veículos em agosto, o agricultor Edson Ferreira, de Aguada Nova, diz que sempre encontra cadeiras quebradas “que passam dias para serem concertadas”. A mesma informação vem da estudante Flaviane Oliveira, que comenta: “você senta na cadeira e o assento fica deslizando, já virou até uma brincadeira para minha filha (risos)”. Carlos Vilela informa que sempre reforma as cadeiras quando o fato é identificado, porém, reconhece que os estofados do micro-ônibus está rasgado há algum tempo. “É um material caro e sempre que reformamos em pouco tempo volta a estragar, algumas pessoas vão para a lotação com este intuito, muitos usam a cabeceia do banco para sentar e quando vamos reclamar recebemos xingamentos e revolta”.
O agricultor Edinei Ferreira, considera que os ônibus passam por uma boa manutenção, porém identifica outro problema. “Nos horários que utiliza o transporte, o veículo está sempre lotado, além disso, presencio constantemente uma falta de respeito com os idosos, não tem lugar reservado para eles e vejo vários em pé”, o agricultor ainda comenta que a insatisfação é tão grande que sente vontade de descer do ônibus, “só não desço porque geralmente estou na pista”, desabafa Edinei. A empresa admite que essa é uma falha, e segundo Carlos Vilela, em breve os ônibus da Saturnino vão ter os devidos locais marcados e reservados para idosos, gestantes e deficientes como obriga a lei.
Na manhã do dia 14, deste mês, encontrei com uma senhora, que preferiu não se identificar, de 70 anos, ela comentou que paga a passagem sempre que usa o serviço, “não tenho opção, eles cobram não tenho cara para dizer não, mas alguém tinha que tomar providência porque nosso dinheiro já é pouquinho”, ressalta a aposentada. Vale lembrar, que a ação da empresa vai de encontro a lei federal (10.741), de 2003 e a estadual (9.013) de 2004, que garante “aos idosos nos veículos de transporte coletivo intermunicipal e estadual a reserva de duas vagas gratuitas por veículos e o desconto de 50% (cinqüenta por cento), no mínimo, no valor das passagens que excedam as vagas gratuitas”; e a gratuidade nos transportes coletivos urbanos e semi-urbanos”.
Carlos Vilela, tenta se justificar, afirmando que os idosos pagam o transporte porque o município e o governo do estado não realizaram essa uma parceria com a empresa. “Temos um trabalho social que oferecemos gratuitamente passe de idoso para algumas pessoas, porém o idoso é nosso principal cliente, se a empresa levasse todos gratuitamente quem pagaria nossos custos?”, questiona o diretor da empresa.
Pedro Moraes
Acabou o terceiro ano, e agora?
Pedagogia ou Engenharia? Talvez Direito… ou até Medicina. Vou para Salvador? Campina Grande? Ou continuo aqui? Diante de tantas possibilidades ou da inexistência delas, um dos grandes dilemas dos jovens que acabam o ensino médio é a difícil missão de escolher qual rumo oferecer para sua vida. Especialistas aconselham que não adianta pressa.
Para a aluna Rafaela Dourado, que acaba de concluir o ensino médio no colégio EdiMaster, a situação fugiu dos limites: “tive uma dúvida enorme, fiquei desesperada, chorei, me senti triste procurei até uma psicóloga. Não sabia o que fazer. Era como se nenhum curso tivesse haver comigo. Resolvi relaxar e fazer direito igual ao meu pai, se não me identificar com a área, faço outro curso depois”.

Professor Sérgio Luis
O professor Sérgio Luís, coordenador pedagógico e professor do Curso Pré Vestibular da UNEB em Lapão comenta que casos desses acontecem porque geralmente os alunos nessa faixa etária “não têm a maturidade de escolha necessária, até porque, não existem no currículo escolar disciplinas que estimulem a parte vocacional. Sempre aconselho a ter calma e decidir a opção com serenidade. Realize estudos prévios sobre as opções de curso, e escolha o seu sonho, esse é o segredo”, orienta Sérgio.
Mesmo com a opção definida, a estudante Louise Almeida sofreu com a ansiedade. A jovem garota de 16 anos, ao fazer o ENEM, relata que só conseguiu entregar a prova nos últimos minutos, porque com o nervosismo, ela perdeu muito tempo. “Quero pegar o resultado da prova e tentar engenharia em Salvador. Pensei na UNIFACS, mas estava tão agoniada na hora da prova que não sei se tive a pontuação necessária. Errei algumas coisas que sabia a resposta”. Para o professor, uma dica importante para solucionar essa problemática é desenvolver uma rotina de atividades como “resolver constantemente simulados, responder questões de vestibulares e fazer provas como a do ENEM. Isso é importante, porque oferece experiência, ameniza a ansiedade e o aluno se sente mais seguro”, diz o professor.
Com os altos índices de desemprego, muitos jovens transferiram o sonho de cursar uma universidade para conquistar um emprego bem remunerado e estável, é o caso de Eliane Martins, do Colégio Modelo, que já fez sua escolha. “Pretendo fazer concurso. Vestibular só se aparecer oportunidade, mas ainda estou em dúvida do curso. Prefiro fazer concurso porque o emprego é garantido e acho que assim dá pra conhecer melhor uma área e aí depois é só se especializar nela,” diz Eliane. Já o estudante Marcelo Lopes, diz que inicialmente pretende “ingressar no mercado de trabalho durante seis meses e depois prestar vestibular para medicina. Eu sou muito ambicioso quando se trata de estudo, quero estudar para ter um bom emprego e um bom salário”.
Apesar da ansiedade, mercado de trabalho e indecisão, o professor Sérgio Luís, alerta que o principal problema é que existe uma carência de sonhos nos estudantes, de acordo com ele, “muitas famílias ainda não têm essa cultura do vestibular, elas acreditam que quando acaba a oitava série eles já estão formados e não incentivam a busca dos filhos. Também a falta de estrutura nos colégios ajudam, como a falta de professores, aulas vagas, principalmente na área de exatas, como física e química e a falta do estímulo de alguns professores que não incentivam os alunos a buscarem um vestibular. Por esses motivos muitos me questionam: para que vou estudar se vou para roça? Se encontramos tantos com anéis de formatura na roça? É triste mas muitos alunos não tem o sonho do vestibular enraizado. Mas isso está mudando, tenho alunos que saem dos povoados para estudar no cursinho e não faltam um dia”.
Pedro Moraes
Artesanato consciente, transformando pneus velhos em móveis
Funcionário público em horário comercial e artesão nos momentos de folga, para Gilton Alves da Mota, ou simplesmente, “Gilton das cadeiras”, um pneu usado e largado numa borracharia é sinônimo de arte, sendo matéria prima para a construção de cadeiras arrojadas e arranjos para flores. A fórmula da transformação parece ser simples, porém, trabalhosa. “Primeiro separo, uma serra, lixadeira, faca martelo e pregos, depois pego o aro do pneu, corto com uma lixadeira e divido em quatro partes, junto as duas e prendo com pregos. Com outro aro, coloco um trançado de borracha e faço um assento. Depois pego mais um aro e fixo em um suporte de madeira para fazer o encosto”. Após finalizar a estrutura da cadeira, “faço o acabamento e com uma faca vou cortando os excessos de borracha. Em seguida, lavo para deixá-la bem limpa, até ficar no ponto ideal para pintar com a cor desejada”, explica Gilton.
A ideia de fazer esse trabalho surgiu de um bom bate-papo com a colega Conceição, que percebendo a habilidade do amigo para o artesanato ofereceu algumas dicas e transmitiu os primeiros passos. “Há uns seis meses, ela me deu uma noção e logo comecei a fazer as cadeiras e vasos. Hoje, já estou com outros planos, estou elaborando sandálias e um sofá. Mas só conseguir, porque trabalhei com meu pai quando tinha treze anos na oficina dele, na época construía carros de madeira, candeeiros, cuscuzeiros e até aviãozinho, isso foi aumentando a habilidade para o artesanato”.
“Trabalhar com esse material é importante, pego um pneu que não será mais usado, que só serve de entulho e dou uma nova vida a ele, nesses dias achei dois e fiz uma cadeira. É bom para mim e para o meio ambiente”. Quando não encontra pneus jogados Gilton gasta, em média, R$30 por peça. “Para fazer uma cadeira utilizo dois pneus, a matéria prima não é cara, mas o trabalho é grande, por isso venho fixando um preço. A depender do estilo cobro R$ 100”. O trabalho de Gilton vem chamando atenção da região, segundo o artesão, a lista de encomendas vem crescendo e frequentemente atrai muitas pessoas quando coloca as cadeiras pintadas na porta para secar. “Quando deixo secando sempre aparece alguém perguntando o preço e querendo comprar. Acabo de mandar treze cadeiras para Central e estou trabalhando agora em outra encomenda maior”.
Iniciativas de pequenos recicladores, como Gilton e das grandes empresas de reciclagem fazem a diferença. Com quatorze fábricas espalhadas no país, às indústrias pneumáticas fabricam por ano no Brasil cerca de 61,5 milhões de pneus. Os dados apresentados pela Associação Nacional das Indústrias pneumáticas podem ser vistos como um ótimo índice econômico, porém, além do consumo elevado influenciado pelas altas vendagens de veículos novos e usados, é preciso refletir, o que está sendo feito com os pneus desgastados, estimados em 30 milhões por ano, que se jogados na natureza demoram mais de 600 anos para se decompor. Com o objetivo de minimizar a degradação causada pela fabricação do pneu, foi desenvolvida uma técnica de recauchutagem, colocando novas camadas de borracha nos pneus antigos, a iniciativa garante o dobro de vida útil para a unidade, gerando uma economia de material prima em 80%. O Brasil ocupa a 2º posição no ranking mundial de recauchutagem. Além dessa possibilidade, grandes empresas se especializaram na reciclagem dessa borracha, servindo para pavimentação, cobrir áreas de lazer e quadras esportivas, fabricar tapetes para automóveis, sapatos, sandálias, colas, adesivos, câmaras de ar, rodos domésticos, tiras para indústrias de estofados e buchas para eixos de caminhões e ônibus.
Se você se interessou pelo trabalho de Gilton das Cadeiras, entre em contato com o artesão: (74) 9997-1698
Nova Vitória! PEC dos Jornalistas é aprovada na CCJC do Senado
A PEC 33/09, que restitui a exigência do diploma de jornalista, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta-feira (02/12). Na semana passada o presidente do Senado, José Sarney, prometeu a dirigentes sindicais dos jornalistas que se empenhará na agilização da tramitação da matéria. Representantes da FENAJ reunem-se ainda nesta semana com a Frente Parlamentar em Defesa do Diploma para definição dos próximos encaminhamentos.
A apreciação da matéria na CCJ começou às 11h, com pronunciamento de vários senadores. Posta em votação às 14h15, a PEC 33/09 foi aprovada por 20 votos contra dois. Posicionaram-se contra apenas os senadores Demóstenes Torres (DEM/GO) e ACM Júnior (DEM/BA). A matéria agora segue para apreciação em plenário.
“Os patrões vieram para a disputa e jogaram pesado”, conta o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Prova disto foi o acompanhamento da reunião da CCJC pelo próprio presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Daniel Slaviero, que, antecedendo os debates, fez um corpo-a-corpo junto aos parlamentares, inclusive distribuindo panfleto da entidade.
Para Murillo, a presença de representantes do empresariado reforçou o que a FENAJ já vinha apontando, que a questão do diploma não está ligada às liberdades de expressão e de imprensa, mas sim às relações trabalhistas entre empregados e patrões. “Foi mais uma vitória importante do movimento pela qualificação do jornalismo”, disse o presidente da FENAJ. “Mas ainda temos muito trabalho pela frente”, completou, controlando o tom comemorativo de outros dirigentes da entidade e de Sindicatos de Jornalistas que o acompanhavam.
Nesta semana deve ocorrer, ainda, uma reunião entre os autores e relatores das PECs que tramitam na Câmara dos Deputados e do Senado, juntamente com a coordenação da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma e com dirigentes da FENAJ. A o objetivo da reunião é estabelecer ações para que a tramitação das matérias avance ainda mais em 2009.
Agilizar a tramitação
Em visita ao Senado no dia 25 de novembro, diretores da FENAJ e dos Sindicatos dos Jornalistas do Ceará, município do Rio de Janeiro e de São Paulo foram recebidos pelo presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB/AM). O presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, pediu o apoio de Sarney ao restabelecimento da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional. O parlamentar assumiu o compromisso de agilizar a tramitação da matéria no Senado.
Sarney lembrou seu ingresso no Jornalismo, aos 17 anos, como repórter dos Diários Associados no Maranhão, e manifestou-se favorável à causa, mas ressalvou que não é favorável “a exageros”, referindo-se à preocupação do Supremo Tribunal Federal (STF) em preservar a liberdade de expressão. Os representantes da categoria esclareceram que a posição da categoria é flagrantemente a favor “da livre manifestação da opinião na imprensa”. A figura do colaborador, do especialista que escreve sobre a área de seu conhecimento, é permitida pela regulamentação da profissão, explicaram.
FENAJ




















































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